Autoridades dos Estados Unidos e de Cuba se reuniram em Havana no dia 10 de abril para tratar de medidas econômicas, energia e temas diplomáticos, em meio à pressão do governo de Donald Trump por mudanças no país caribenho.
De acordo com um funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos, a delegação americana instou o governo cubano a abrir a economia estatal e adotar reformas para evitar agravamento da crise. A avaliação apresentada foi de que a economia da ilha está em queda e que há uma janela limitada para implementação de mudanças com apoio externo.
Segundo a mesma fonte, os representantes afirmaram que o governo Trump busca uma solução diplomática, mas não descarta outras medidas caso Cuba represente risco à segurança nacional dos EUA.
Governo cubano rejeita pressão
O diretor-adjunto do Ministério das Relações Exteriores de Cuba para assuntos dos EUA, Alejandro García del Toro, afirmou ao jornal estatal Granma que o encontro foi conduzido de forma “respeitosa e profissional”. Ele negou a existência de ultimatos ou prazos e disse que o governo cubano mantém como prioridade o fim das restrições econômicas impostas por Washington.
García também acusou os EUA de pressionar países que pretendem exportar petróleo para Cuba, classificando a medida como coerção econômica.
Energia e bloqueio de petróleo
A reunião ocorreu após o endurecimento das medidas dos EUA sobre o fornecimento de petróleo à ilha. Desde janeiro, Washington ampliou a pressão sobre a Venezuela, principal aliada de Cuba, e bloqueou a maioria dos navios russos que transportavam combustível para o país caribenho.
A restrição agravou a escassez de gasolina, diesel e combustível de aviação, além de intensificar apagões. Apesar disso, os EUA mantiveram autorização para que empresas forneçam combustível ao setor privado cubano.
“O fim do bloqueio energético é uma questão de máxima importância para nossa delegação”, afirmou García del Toro, ao criticar a política americana.
Temas em negociação
Entre os assuntos discutidos na reunião esteve a possibilidade de oferta do serviço de internet via satélite Starlink na ilha. O sistema é operado pela SpaceX, mas enfrenta restrições em Cuba devido ao controle estatal das comunicações.
Também foram abordadas compensações a cidadãos e empresas americanas por bens confiscados após a revolução, a libertação de presos políticos e preocupações dos EUA com a atuação de serviços de inteligência estrangeiros no território cubano.
Um representante americano ainda se reuniu separadamente com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro, apontado como figura relevante nas negociações.
Pressão diplomática e cenário político
A reunião foi divulgada inicialmente pelo site Axios, enquanto o jornal USA Today informou que autoridades americanas teriam estabelecido prazo de duas semanas para a libertação de presos políticos, informação não confirmada oficialmente pelo governo cubano.
Nos últimos meses, Havana anunciou a libertação de dezenas de detidos como gesto de negociação, medida questionada por organizações de direitos humanos.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que há espaço para diálogo com os Estados Unidos, mas reiterou que o sistema político do país não está em discussão.
Trump, por sua vez, tem defendido mudanças no regime cubano e mencionou a possibilidade de uso de força em cenários futuros, condicionando decisões ao contexto internacional, incluindo conflitos no Oriente Médio.
Com informações do O Globo*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






