O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (21), que o Brasil pode adotar medidas de reciprocidade após o governo dos Estados Unidos determinar a saída de um delegado da Polícia Federal do território americano. A declaração foi dada em Hannover, na Alemanha, durante conversa com a imprensa.
“Fui informado hoje de manhã, acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil”, disse o presidente. Lula também afirmou que não aceitará “ingerência” ou “abuso de autoridade” por parte de autoridades americanas em relação ao país.
A medida foi anunciada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos na segunda-feira (20). Em publicação, o órgão afirmou que uma autoridade brasileira tentou “contornar pedidos formais de extradição” para promover “perseguições políticas” em território americano e, por isso, foi solicitada sua saída do país.
A TV Globo confirmou, com base em informações da embaixada americana no Brasil, que o agente citado é o delegado Marcelo Ivo de Carvalho. Ele atuava em Miami em cooperação com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE).
Carvalho foi designado para a função em março de 2023, com missão inicial de dois anos, posteriormente prorrogada até agosto de 2026. Entre suas atribuições estavam a identificação e prisão de foragidos da Justiça brasileira nos Estados Unidos.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a informação divulgada pelo governo americano “não tem fundamento” e que o Brasil aguarda esclarecimentos. Segundo ele, o delegado atuava de forma conjunta com autoridades americanas, com conhecimento prévio de suas funções.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informou que o agente está nos Estados Unidos há mais de dois anos desempenhando atividades oficiais.
A decisão americana está relacionada ao caso do ex-deputado Alexandre Ramagem, preso no dia 13 de abril em Orlando, na Flórida, pelo ICE. Na ocasião, a Polícia Federal informou que a detenção ocorreu por questões migratórias. Ramagem foi liberado dois dias depois.
Após deixar a prisão, o ex-deputado publicou vídeo agradecendo ao governo do presidente Donald Trump pela liberação. Segundo ele, a soltura ocorreu de forma administrativa, sem decisão judicial ou pagamento de fiança.
Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele é acusado de integrar o núcleo central da articulação para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder. De acordo com investigações da Polícia Federal, ele deixou o Brasil antes da conclusão do julgamento, cruzando a fronteira com a Guiana e seguindo para os Estados Unidos.
Em janeiro de 2026, o Ministério da Justiça informou ao STF que o pedido de extradição do ex-deputado havia sido encaminhado ao governo americano. A documentação foi enviada ao Departamento de Estado em dezembro de 2025.
Autoridades brasileiras também trabalham na elaboração de um relatório com informações adicionais para tentar acelerar a deportação de Ramagem.
O Itamaraty informou que não irá se manifestar sobre o caso no momento. A Polícia Federal declarou que não foi comunicada formalmente pelos Estados Unidos sobre a decisão envolvendo o delegado.
Com informações do G1*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






