A corrida pelos minerais críticos da Amazônia consolidou uma rede clandestina que atua por rios, estradas remotas e portos internacionais, integrando garimpeiros, grupos armados, agentes públicos e intermediários privados. Materiais como cassiterita, coltan, tântalo e terras raras deixam a região em direção a refinarias no exterior, principalmente na China, que domina 91% da capacidade mundial de processamento.
Nas zonas de extração da Venezuela, garimpeiros relatam a convivência direta entre guerrilheiros do ELN e compradores estrangeiros.
“Quando eu estava lá, eu trabalhava com estanho. Os compradores também estão lá: os mesmos grupos irregulares, a guerrilha e os chineses”, disse um jovem minerador.
Outro reforça:
“Estão todos juntos, os chineses e os elenos. Comem juntos, compram materiais juntos e descem do helicóptero juntos”.
Centros de coleta operados pela Corporação Venezuelana de Mineração concentram parte da produção e registram exportações para China, Estados Unidos e Índia. Em alguns pontos, segundo relatos, forças estatais venezuelanas participam do esquema.
“Há membros da Guarda Nacional envolvidos”, afirma um garimpeiro. Outro completa: “É como se todos trabalhassem para as mesmas pessoas. A guerrilha paga uma porcentagem para eles”.
As rotas seguem para a Colômbia, onde minerais são transportados por rios e estradas de terra até centros de processamento em cidades como Puerto Carreño e Bogotá. Exportadores modificam classificações alfandegárias para ocultar a origem ilícita, processo criticado por autoridades.
“A fiscalização disso é ridícula”, avaliou um agente colombiano.
Empresas aparecem como intermediárias. A Gracor, apontada por autoridades e garimpeiros como articuladora do comércio ilegal, nega irregularidades e diz comprar apenas “mineração de subsistência”.
Já a Camave, responsável por carga apreendida com mais de seis toneladas de minerais estratégicos, teve representantes condenados por crimes como enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro.
No Brasil, operações ocorrem de forma semelhante. A extração ilegal de cassiterita na Terra Indígena Yanomami envolve redes financiadas por investidores e a presença de facções criminosas.
“Há extração de cassiterita em áreas controladas pelo PCC em Waikás e Alto Uraricoera”, informou um agente da inteligência brasileira.
Garimpeiros contam que helicópteros transportam até 10 toneladas de minério por vez. Em Manaus, a cassiterita chega a ser vendida por até R$ 70 o quilo.
“Existem áreas e estruturas que pertencem aos membros do crime organizado. Eles vendem segurança”, relatou uma autoridade federal.
A Polícia Federal tenta conter o avanço com operações como a Ouro Negro, que desmantelou um esquema de licenças ambientais fraudulentas para legalizar cargas ilegais. Mais de R$ 265 milhões foram bloqueados em 2025.
A pressão global tende a aumentar. A Agência Internacional de Energia projeta que a demanda por minerais críticos quadruplicará até 2040, impulsionada por baterias, veículos elétricos e tecnologias limpas. Especialistas alertam para o impacto direto na região.
“Bem-vindos ao Novo Congo da América Latina”, disse o investidor colombiano Juan Guillermo García ao comentar a corrida por insumos estratégicos.
O desafio, afirmam autoridades, é conter grupos criminosos, preservar comunidades tradicionais e impedir que a Amazônia se transforme na linha de frente de uma disputa global por recursos essenciais à indústria tecnológica.
Com Informações do Site Infomazônia
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






