A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) publicaram nota conjunta restringindo o uso de testosterona em mulheres. As entidades reforçam que a prescrição deve ocorrer apenas em casos de Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH), após avaliação médica e exclusão de outras causas.
O documento afirma que “a prescrição de testosterona deve restringir-se estritamente à única indicação formalmente reconhecida (Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo – TDSH), após avaliação clínica adequada, sendo potencialmente danosa quando utilizada sem indicação, com base em dosagens isoladas ou com objetivos não terapêuticos”.
As sociedades alertam para riscos associados ao uso indevido. No comunicado, reforçam que “o uso de testosterona fora da única indicação em mulheres aumenta o risco de eventos adversos, incluindo: efeitos virilizantes como acne, queda de cabelo, crescimento de pelos, aumento do clitóris e engrossamento irreversível da voz, toxicidade e tumores de fígado, alterações psicológicas e psiquiátricas, infertilidade e potenciais repercussões cardiovasculares como hipertensão arterial, arritmias, embolias, tromboses, infarto, AVC e aumento da mortalidade, além de alterações de outros exames laboratoriais, como os de colesterol e triglicerídeos”.
A nota também destaca que não há produtos aprovados pela Anvisa para reposição de testosterona feminina e que o órgão não reconhece “uso de testosterona para fins estéticos, de melhora de composição corporal, desempenho físico, disposição ou antienvelhecimento”.
O endocrinologista e metabologista Rodrigo Botelho Caldeira explica como ocorre o diagnóstico de TDSH.
“O diagnóstico é estritamente clínico, definido quando há desejo reduzido ou ausente (pensamentos sexuais ou fantasias), desejo diminuído ou ausente à estimulação erótica e incapacidade de sustentar o desejo durante a atividade sexual associado a um sofrimento significativo à mulher”, disse Rodrigo Caldeira.
Segundo o médico, o quadro precisa ser persistente por pelo menos seis meses, com exclusão de causas endocrinológicas, psicológicas e efeitos de medicamentos.
O especialista acrescenta que exames laboratoriais não determinam o diagnóstico isoladamente.
“Não é possível diagnosticar TDSH ou iniciar tratamento baseado em valores de testosterona devido à imprecisão em obter resultados confiáveis de testosterona em níveis femininos”, explica.
Ele cita que a International Society for the Study of Women’s Sexual Health recomenda o uso de testosterona exclusivamente para TDSH após investigação completa. Sobre a forma de reposição, Caldeira observa que “o método que confere maior segurança na reposição de testosterona é de gel”, embora não existam formulações adequadas aprovadas para mulheres no Brasil.
As recomendações das entidades também impactam a busca crescente por terapias voltadas à disposição, composição corporal e estratégias antienvelhecimento. Nesse contexto, Caldeira orienta alternativas não hormonais.
Rodrigo afirma que “pode-se optar por abordagens multifatoriais como adotar dieta saudável orientada por nutricionista, atividade física por no mínimo três vezes por semana por 60 minutos, sono reparador de pelo menos 6 horas, correção de déficits hormonais presentes e investigação e tratamento de causas psicológicas”. O endocrinologista reforça ainda a necessidade de acompanhamento clínico regular para monitoramento geral da saúde.
Por Haliandro Furtado — Redação da Jovem Pan News Manaus






