O Ministério das Relações Exteriores da China pediu que os Estados Unidos libertem imediatamente o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, capturados no sábado (3), em Caracas, e mantidos sob custódia em uma prisão federal no Brooklyn, em Nova York.
Em comunicado oficial, o governo chinês afirmou que a ação norte-americana “violou claramente o direito internacional e as normas básicas das relações internacionais”, além de contrariar os princípios e propósitos estabelecidos na Carta da Organização das Nações Unidas (ONU).
“A China pede que os Estados Unidos garantam a segurança pessoal do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa e cessem as tentativas de derrubar o governo venezuelano”, afirmou a chancelaria. O texto também defende que a crise seja resolvida “por meio do diálogo e da negociação”.
Esta foi a segunda manifestação oficial da China sobre o caso. No sábado (3), o Ministério das Relações Exteriores já havia condenado o uso da força, afirmando estar “profundamente chocado” com a operação.
“A China condena veementemente o uso flagrante da força por parte dos Estados Unidos contra um país soberano e a ação contra o presidente de outro Estado”, diz a nota.
Papa pede independência e respeito aos direitos humanos
Após a captura de Maduro, o papa Leão XIV pediu neste domingo (4) que a Venezuela permaneça um país independente. O pontífice afirmou que acompanha a situação com “profunda preocupação” e fez um apelo pelo respeito aos direitos humanos.
“O bem-estar do amado povo venezuelano deve prevalecer sobre todas as outras considerações e levar à superação da violência e ao início de caminhos de justiça e paz, garantindo a soberania do país”, declarou após a oração dominical na Praça de São Pedro, no Vaticano.
No início de dezembro, Leão XIV já havia defendido que os Estados Unidos priorizassem o diálogo com a Venezuela antes de qualquer operação e se posicionado contra soluções violentas. O papa mantém vínculos históricos com a América Latina, especialmente com o Peru, onde atuou como missionário por quase três décadas e se naturalizou cidadão peruano.
Detenção em Nova York
O presidente venezuelano chegou ao centro de detenção em Nova York no fim da noite de sábado (3), segundo autoridades americanas. Mais cedo, Maduro foi conduzido sob custódia ao escritório da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), onde passou pelos procedimentos formais. Um perfil oficial da Casa Branca divulgou imagens do venezuelano escoltado por agentes.
Em entrevista coletiva, o presidente Donald Trump afirmou que avalia os próximos passos em relação à Venezuela e disse que os Estados Unidos pretendem conduzir o país por meio de um “grupo” em formação até uma transição de poder, sem detalhar prazos nem o funcionamento do arranjo.
Também no sábado, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, anunciou que Maduro será julgado pela Justiça americana em um tribunal de Nova York. Segundo ela, o presidente venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram formalmente acusados de crimes como conspiração para narcoterrorismo, importação de cocaína e posse de armamento pesado.
Diante da repercussão internacional, uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas está prevista para amanhã, segunda-feira, dia 5 de janeiro, para discutir a situação política e institucional da Venezuela.
Com Informações da Agência Brasil
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






