Recentemente publicamos aqui na coluna, uma matéria que fala sobre a produção de tambaqui (Colossoma macropomum) em larga escala pela China. O que gerou preocupação e estranheza para quem reside na Amazônia e para pescadores que tem a profissão como seu sustento principal, além de empresários que trabalham com tanques de peixes e vendas em toda a região norte.
A biodiversidade da Amazônia reafirma sua vocação econômica e conquista novos paladares em solo internacional. Um dos maiores frigoríficos de pescado do Norte do Brasil (Frigopesca) consolidou, em 2025, um contrato estratégico com os Estados Unidos para a exportação de pirarucu congelado.
O movimento não apenas coloca o peixe amazônico na mesa das famílias norte-americanas, mas sinaliza uma resposta robusta da região à crescente concorrência global no setor aquícola.

Da bacia amazônica para as gôndolas americanas
A operação marca a retomada das vendas para os EUA, um mercado rigoroso que exige certificações internacionais de alto padrão.
O potencial é de escala gigantesca: apenas uma rede de supermercados prospectada possui 900 unidades. Se cada loja demandasse mil quilos, a necessidade de fornecimento chegaria a 900 toneladas mensais, um volume que a indústria local já se capacita para atender.
Atualmente, o pescado beneficiado no Amazonas já atende a maior parte do Brasil, além de vizinhos como Peru e Colômbia. No entanto, o foco agora é a expansão para a Europa (Espanha, Portugal e Suíça), que aguarda a resolução de questões tarifárias e acordos federais para abrir as portas ao pirarucu e ao tambaqui brasileiros.
O alerta chinês e o diferencial da Amazônia
Esta expansão internacional ocorre em um momento crucial de geopolítica alimentar. Recentemente, a notícia de que a China está produzindo tambaqui em larga escala acendeu um alerta sobre a soberania dos produtos nativos da região.
Embora o gigante asiático utilize tecnologia de ponta para reproduzir espécies amazônicas, o produto exportado diretamente do Amazonas carrega o diferencial da sustentabilidade e do “terroir” amazônico. O paralelo é claro: enquanto outros países tentam replicar nossas espécies em cativeiro do outro lado do mundo, a indústria local profissionaliza a extração e o manejo, garantindo que o valor agregado, e o selo de origem, permaneça na região assinado com os rios o selo “Amazônia”.

Muito além do filé: a economia da pele
A inovação também passa pelo aproveitamento total do peixe. Onde muitos viam descarte, o mercado externo viu luxo. A pele do pirarucu tornou-se um item de exportação cobiçado por mercados no México e na Europa, sendo utilizada na indústria da moda e acessórios.
Impacto social e legado
O fortalecimento desta cadeia produtiva impacta diretamente o interior do estado. O que começou como um pequeno frigorífico em Anamã na década de 80, hoje movimenta uma rede de aproximadamente 10 mil pescadores em municípios como: Manacapuru, Beruri, Anamã, Fonte Boa, Maraã e Parintins.
Com capacidade de processamento que ultrapassa 5 milhões de toneladas por ano, a indústria amazonense prova que o peixe nativo é, de fato, uma das maiores riquezas exportáveis do Brasil, capaz de competir em qualidade, se não ainda em subsídios, com qualquer produção internacional.
Com informações e fotos da assessoria*
Por Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Manaus, Coluna Soul do Norte






