Qual é o cachorro mais inteligente do mundo? Estudo coloca border collie no topo do ranking

Levantamento liderado pelo pesquisador Stanley Coren analisou cerca de 140 raças e apontou o border collie como o mais inteligente; pesquisas mais recentes indicam disputa com o pastor belga malinois
Foto: National Geographic

Um ranking elaborado pelo psicólogo e pesquisador norte-americano Stanley Coren, na década de 1990, analisou cerca de 140 raças de cães para identificar qual seria o cachorro mais inteligente do mundo. O estudo levou em conta fatores como obediência e inteligência, definida como a capacidade de responder a ordens humanas. O resultado colocou o border collie no topo da lista.

Coren é autor do livro “A Inteligência dos Cães – Um Guia dos Pensamentos, Emoções e Vida Interior de Nossos Companheiros Caninos”, publicado em 1994 e revisado em 2006. Na obra, ele posiciona os border collies em primeiro lugar e inclui poodles, pastores alemães, golden retrievers e dobermans entre as raças com melhor desempenho nos testes.

Um artigo da National Geographic reuniu quatro características apontadas como determinantes para a posição do border collie no ranking.

Raça se destaca pelo trabalho como cão pastor

Segundo a Enciclopaedia Britannica, o border collie é classificado como um cão pastor. De acordo com a definição do American Kennel Club (AKC), os cães desse grupo têm uma “habilidade instintiva para controlar o movimento de outros animais”.

“O instinto de pastoreio dessas raças é tão forte que já se sabe que esses animais podem fazer, inclusive, um pastoreio ‘suave’ de seus donos, especialmente as crianças da família”, registra a fonte.

Ainda segundo a Britannica, “eles são conhecidos por olhar fixamente para as ovelhas para intimidá-las e levá-las a fazer o que os cães querem”, como descreve o AKC. “Esse comportamento, conhecido como ‘olhar’, pode ter origem nos ancestrais lobos da raça, que olhavam fixamente para sua vítima para estabelecer seu domínio sobre ela antes de atacá-la”, completa a entidade.

Capacidade de aprendizado e memória

Além do pastoreio, a raça é usada em atividades como buscar objetos, nadar, puxar cargas, pular e correr, além de esportes caninos, provas de agilidade, obediência, trabalho olfativo, rastreamento e salto na água.

O AKC informa que se trata de um cão de alta demanda por exercícios e que as atividades precisam ir “além de um simples passeio pelo quarteirão ou uma pequena brincadeira no jardim”. Segundo a entidade, correr faz parte da rotina necessária para a raça.

Um artigo da National Geographic Espanha aponta que esses cães se destacam pela memória. A estimativa é que um border collie seja capaz de reconhecer mais de mil palavras e aprender instruções em menos de cinco repetições.

Origem que remonta ao Império Romano

De acordo com a Britannica e o AKC, a raça é utilizada há cerca de três séculos na fronteira entre a Inglaterra e a Escócia, mas sua origem é mais antiga. Em 43 d.C., durante a ocupação romana da Grã-Bretanha, o imperador Cláudio levou tropas acompanhadas de gado e de cães pastores de grande porte para vigiá-lo.

Após a queda do Império Romano, os vikings também invadiram a região e levaram seus próprios cães, que eram menores e mais rápidos. Com o tempo, “o cruzamento entre os antigos cães romanos e os spitz vikings deu origem a pastores compactos e ágeis, bem equipados para trabalhar com gado nas terras rochosas e montanhosas da Escócia e do País de Gales”, segundo o AKC.

Raça acumula recordes

A rainha Vitória (1819–1901) é citada pela Britannica como uma das responsáveis pela popularização dos border collies. Mais recentemente, alguns cães da raça ficaram conhecidos por feitos específicos.

Chaser ficou conhecido por reconhecer os nomes de mais de mil objetos. Jumpy entrou para o livro “Guinness” com a corrida mais rápida de 100 metros feita por um cão em um skate. Outro exemplo é Striker, que estabeleceu o recorde de baixar mais rápido a janela manual de um carro, em menos de 12 segundos. Já Sweet Pea bateu o recorde de andar mais rápido em 100 metros equilibrando uma lata na cabeça.

A Britannica também registra outros casos de border collies com marcas em diferentes categorias.

Novo estudo aponta outra raça na liderança

Apesar da liderança no ranking de Coren, um estudo publicado em 2022 na revista científica “Nature” analisou o comportamento de 1.002 cães de 12 raças diferentes, além de um grupo de cães sem raça definida. Nesse levantamento, o pastor belga malinois ficou em primeiro lugar, enquanto os border collies apareceram em segundo, indicando que ainda há pesquisas em andamento sobre o tema.

 

 

Com informações da National Geographic Brasil*

Por Haliandro Furtado — Redação da Jovem Pan News Manaus