Exclusiva: Janeiro Roxo: campanha alerta para hanseníase com mutirão em Manaus

Ação integra a campanha Janeiro Roxo e inclui atendimento para identificação precoce da doença, além de caminhada e atividades educativas em Manaus.

Durante o mês de janeiro, ações de conscientização e enfrentamento à hanseníase ganham força no Amazonas. Como parte da campanha Janeiro Roxo, a Fundação Hospitalar Alfredo da Matta (Fuham) realiza, neste sábado (17), uma ação de busca ativa para identificar novos casos da doença, iniciativa que integra uma programação mais ampla com atividades educativas, caminhada no Centro de Manaus e evento acadêmico voltado a profissionais de saúde.

A busca ativa será voltada a pessoas que apresentam sinais característicos da hanseníase, como manchas na pele com perda de sensibilidade. O atendimento será realizado exclusivamente para suspeitas da doença, com encaminhamento dos demais casos para a rede básica de saúde.

Segundo a infectologista Valderiza Pedrosa, coordenadora do Programa Estadual de Combate à Hanseníase, a estratégia de busca ativa é essencial para interromper a transmissão e evitar sequelas.

“A hanseníase muitas vezes começa de forma silenciosa. A pessoa tem uma mancha que não dói, não coça e acaba não dando importância. Quando conseguimos identificar esses casos precocemente, evitamos que a doença avance e cause deformações”, explicou.

Avanço no diagnóstico e cenário atual

De acordo com dados apresentados pela coordenação do programa, em 2025 foram registrados 319 novos casos de hanseníase no Amazonas. Do total, 106 ocorreram em Manaus e 211 em municípios do interior. Para Valderiza Pedrosa, o aumento nas notificações reflete a retomada das ações de diagnóstico após o período da pandemia.

“Durante a pandemia tivemos uma redução que não era real. As pessoas deixaram de procurar os serviços de saúde. Quando retomamos as ações de campo, voltamos a detectar casos que estavam ocultos. Esse aumento é positivo porque significa diagnóstico e tratamento”, destacou.

Ela ressalta que, atualmente, o tratamento é gratuito, oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e tem duração definida.

“Hoje o tratamento dura de seis a doze meses, dependendo da forma clínica. A partir do início da medicação, a pessoa já deixa de transmitir a doença. Isso é fundamental para quebrar a cadeia de transmissão”, afirmou.

Combate ao estigma e importância da informação

A infectologista também enfatiza que o preconceito ainda é um dos principais desafios no enfrentamento da hanseníase, reflexo de um período em que não existiam tratamentos eficazes.

“As sequelas do passado marcaram muito a história da doença e alimentaram o estigma. Hoje temos cura, tratamento eficaz e acompanhamento. Informação é a principal ferramenta para combater o preconceito”, disse.

Caminhada e programação educativa

Além da busca ativa, a programação do Janeiro Roxo inclui a caminhada Dermapé, no dia 25 de janeiro, no Centro de Manaus. A concentração será às 9h, na esquina das avenidas Eduardo Ribeiro com Sete de Setembro, com percurso até o Largo de São Sebastião.

O mês de mobilização será encerrado no dia 31 de janeiro com o seminário “Pensando em Hanseníase”, que reúne profissionais que atuam diretamente no diagnóstico, tratamento e prevenção da doença.

“O seminário é voltado para profissionais de saúde, estudantes e pessoas interessadas no tema. Vamos discutir desde a busca ativa até as atualizações no cuidado com a hanseníase”, explicou a diretora de Ensino e Pesquisa da Fuham, Graça Barbosa.

As inscrições para o seminário podem ser feitas pelo site www.fuham.am.gov.br ou pelo Instagram @seminariojaneiroroxofuham.

Conscientização permanente

O Dia Mundial de Combate à Hanseníase é lembrado em 26 de janeiro. A campanha Janeiro Roxo reforça que a doença tem cura, tratamento gratuito e que o diagnóstico precoce é fundamental para evitar sequelas e reduzir a transmissão.

“Hanseníase tem cura. Quanto mais cedo a pessoa procura o serviço de saúde, melhores são os resultados do tratamento e menor é o impacto na vida do paciente”, concluiu Valderiza Pedrosa.

 

Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus