Preços da indústria seguem em queda e acumulam recuo ao longo de 2025

Levantamento do IBGE mostra que custos na porta de fábrica caem pelo décimo mês seguido, puxados por alimentos, mineração e combustíveis

Os preços cobrados pela indústria brasileira continuaram em queda em novembro de 2025. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de Preços ao Produtor (IPP) recuou 0,37% em relação a outubro, marcando o décimo mês consecutivo de redução.

Na prática, isso significa que os produtos ficaram mais baratos antes de chegarem ao consumidor, ainda na chamada “porta de fábrica”, sem considerar impostos ou fretes. Ao longo de 2025, os preços industriais já acumulam uma queda de 4,66%, enquanto no intervalo de 12 meses o recuo é de 3,38%.

O que puxou essa queda?

A redução foi influenciada principalmente por setores ligados a matérias-primas e insumos básicos. O maior impacto veio das indústrias extrativas, como mineração e petróleo, que registraram queda média de 3,43% nos preços em novembro, respondendo por uma parcela significativa do resultado negativo do mês.

Outro destaque foi o setor de alimentos, que apresentou recuo de preços pelo sétimo mês consecutivo. Produtos como leite, óleo de soja e açúcar ficaram mais baratos, reflexo do período de safra e de menor demanda em alguns segmentos. Em sentido oposto, os preços da carne bovina subiram, influenciados pela demanda externa.

Também contribuíram para o resultado os segmentos de refino de petróleo e biocombustíveis e de produtos químicos, impactados pelo comportamento do mercado internacional e pela desaceleração da demanda interna.

Diferença entre os tipos de produtos

Os preços caíram com mais intensidade nos chamados bens intermediários, que são usados como insumos por outras indústrias, como combustíveis, produtos químicos e metais. Esse grupo teve queda de 0,75% em novembro e é o que mais pesa na formação do índice geral.

Já os bens de consumo, destinados diretamente às famílias, registraram leve alta de 0,09%, puxados principalmente pelos bens duráveis, como eletrodomésticos. Os bens de capital, como máquinas e equipamentos, ficaram praticamente estáveis no período.

O que isso indica para a economia?

A sequência de quedas no IPP aponta para um cenário de menor pressão de custos sobre a indústria, o que pode ajudar a conter reajustes de preços ao consumidor nos próximos meses. Ao mesmo tempo, o movimento também reflete um ambiente de demanda mais fraca em alguns setores, além da influência do mercado internacional.

Apesar do recuo acumulado, o IBGE destaca que o comportamento dos preços não é uniforme entre as atividades industriais, com diferenças importantes entre setores voltados à exportação e aqueles mais dependentes do consumo interno.

 

Com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus