A geração de energia termelétrica na China, baseada principalmente em usinas a carvão, caiu em 2025 pela primeira vez em 10 anos, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (19), pelo Departamento Nacional de Estatísticas (NBS). A queda ocorre em meio ao avanço das fontes renováveis, que passaram a atender o crescimento da demanda por eletricidade, mesmo com o consumo total de energia do país atingindo nível recorde.
De acordo com o NBS, a geração de energia térmica recuou 1% em 2025, para 6,29 trilhões de quilowatts-hora (kWh). Em dezembro, a retração foi mais acentuada, com queda de 3,2% na comparação anual. A matriz térmica chinesa é composta majoritariamente por carvão, com uma parcela menor proveniente do gás natural.
“A expansão recorde de energias renováveis nos últimos anos impactou cumulativamente a matriz energética e reduziu ainda mais a dependência do carvão, juntamente com um crescimento mais moderado da demanda por energia, de 5% em 2025”, disse Peng Chengyao, chefe de pesquisa de energia e renováveis da S&P Global Energy para a região Ásia-Pacífico.
Segundo o Conselho de Eletricidade da China, a demanda por energia havia crescido 6,8% em 2024.
Apesar da desaceleração, o crescimento foi suficiente para levar o consumo de eletricidade da China a um novo recorde. No sábado, a Administração Nacional de Energia (NEA) informou que o país ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 10 trilhões de kWh em 2025.
O volume foi superior ao consumo combinado da União Europeia, Rússia, Índia e Japão em 2024, impulsionado pelo aumento do uso de internet e serviços relacionados, além da fabricação de veículos elétricos.
As estatísticas da NEA oferecem um panorama mais amplo do consumo de energia do que os dados do NBS, que não incluem parte da geração renovável em menor escala, como eólica e solar, devido ao limite mínimo de receita anual da pesquisa. Pelos números do NBS, a geração total de energia atingiu 9,72 trilhões de kWh em 2025, alta de 2,2% em relação a 2024.
Os dados oficiais também indicam crescimento em outras fontes. A geração hidrelétrica aumentou 4,1% em dezembro e 2,8% no acumulado do ano. A produção de energia nuclear subiu 3,1% em dezembro e 7,7% em 2025.
Segundo a S&P, a geração termelétrica não deve voltar a acelerar em 2026, já que o crescimento das renováveis segue em ritmo elevado, enquanto a demanda deve permanecer estável em torno de 5%. “Essa tendência de mudança estrutural na geração de energia é difícil de reverter”, afirmou Feng Dongbin, vice-gerente geral da Fenwei Digital Information Technology, empresa que opera a plataforma chinesa de análise de carvão Sxcoal.
A mudança ocorre enquanto a China mantém o objetivo de atingir o pico de emissões de carbono até 2030, embora a produção de carvão tenha registrado aumento recorde no ano anterior.
Com informações da Reuters*
Por Haliandro Furtado — Redação da Jovem Pan News Manaus*






