“Robótica educacional” amplia formação tecnológica de jovens no Amazonas, diz instrutora do INDT

Em entrevista à Jovem Pan News Manaus, Ana Caroline Gomes explicou como a metodologia é aplicada, quais projetos são desenvolvidos e quais caminhos profissionais se abrem a partir da formação em tecnologia

Durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News Manaus, apresentado por Massami Miki, na manhã desta segunda-feira (19), a instrutora de robótica do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT), Ana Caroline Gomes, explicou como a robótica educacional vem sendo utilizada na formação de jovens e adultos no Amazonas, com foco em programação, eletrônica e no desenvolvimento de habilidades voltadas ao mercado de trabalho.

Segundo a instrutora, a robótica educacional é uma metodologia em que o aluno participa do próprio processo de aprendizagem ao construir projetos práticos.

“A robótica educacional é uma metodologia de ensino onde o aluno é o protagonista do conhecimento dele, do aprendizado dele. Ele aprende enquanto constrói”, afirmou. De acordo com ela, os projetos são ligados a conteúdos escolares, o que permite trabalhar conceitos de matemática, física e engenharia de forma aplicada.

Entre os exemplos citados, estão protótipos como lixeiras eletrônicas com sensores e braços robóticos.

“Não é só montar, não é só construir um robô, não é encaixar uma peça na outra, é realmente ele aprender algumas habilidades enquanto ele monta”, disse.

Ela explicou que, no caso da lixeira automatizada, além dos conceitos de eletrônica, também são abordados temas como coleta seletiva e descarte de resíduos.

Ana Caroline afirmou que a robótica ainda é vista como distante da realidade de parte dos estudantes, mas que essa barreira pode ser reduzida com acesso a atividades práticas.

“A gente quebra essa barreira proporcionando oportunidades para eles ingressarem nessa área, seja em workshops, palestras, aulas, equipes ou torneios”, declarou. Ela coordena, além das atividades no INDT, a equipe Engenheiros do Açaí, formada por alunos de escolas públicas e particulares.

De acordo com a instrutora, os estudantes participam de projetos de pesquisa e alguns já produzem artigos. “Tenho muitos alunos que hoje escrevem artigos que ganham menção honrosa, vendo o problema da sociedade que eles vivem, escrevendo, publicando e fazendo acontecer”, afirmou.

Durante a entrevista, também foi abordada a relação entre a robótica educacional e o Polo Industrial de Manaus. Ana Caroline explicou que os projetos desenvolvidos pelos alunos são baseados em situações reais.

“Todos os projetos que eles constroem são ambientados com algo real. Eles passam por visitas aos nossos laboratórios, veem o que é feito e depois reproduzem em escala menor”, disse. Segundo Ana Caroline, os estudantes conhecem os laboratórios do INDT e, a partir disso, desenvolvem protótipos com kits educacionais.

Ao falar sobre o mercado de trabalho, a instrutora destacou que a formação tecnológica abre diferentes possibilidades profissionais. “Ele pode trabalhar com desenvolvimento de software, com testes, com engenharia, com design. Não é uma coisa fechada”, afirmou. Ela relatou que já acompanhou alunos que seguiram áreas distintas após o contato inicial com a robótica e a tecnologia.

Questionada sobre o futuro da robótica e da inovação no Amazonas, Ana Caroline disse acreditar em avanços ligados a soluções para a cidade e para o meio ambiente.

“A gente pode usar esse conhecimento para trabalhar numa cidade mais inteligente, usar inteligência artificial para melhorar problemas e cuidar dos nossos rios e da nossa floresta”, declarou.

Ao final da entrevista, ela convidou os ouvintes a conhecerem o trabalho do INDT e os projetos educacionais desenvolvidos pela instituição, além da equipe Engenheiros do Açaí, que representa o Amazonas em torneios de robótica.

INDT 

O INDT (Instituto de Desenvolvimento Tecnológico) é um centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) com sede em Manaus, criado em 2001. O instituto já atuou como centro de pesquisa da Nokia e da Microsoft e, desde 2016, funciona de forma independente, desenvolvendo projetos para empresas como Motorola, Foxconn, Epson e Positivo.

Atualmente, trabalha em áreas como software, hardware, comunicação e redes, manufatura avançada, robótica, veículos autônomos, biotecnologia, materiais e química, com foco no desenvolvimento tecnológico da Região Norte e do Brasil.

Por Haliandro Furtado — Redação da Jovem Pan News Manaus*