OMS afirma que saída dos EUA representa “ameaça à segurança global”

Organização diz que decisão torna o país e o mundo menos seguros e contesta críticas feitas por Washington
Foto: ONU

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou neste sábado que a decisão dos Estados Unidos de deixarem a agência representa uma “ameaça à segurança global” e tornará o país e o mundo “menos seguros”. O posicionamento foi divulgado em comunicado oficial após Washington concluir, nesta semana, o processo de retirada da entidade da ONU, da qual fazia parte havia quase 80 anos.

Segundo o governo norte-americano, a saída ocorreu por considerar que a OMS seguiria uma agenda politizada e burocrática, influenciada por países hostis aos interesses dos Estados Unidos. A agência rebateu as acusações e afirmou que os argumentos são falsos. No texto, a OMS diz que “sempre foi e continua sendo imparcial” e que existe para servir a todos os países, com respeito à soberania de cada um, “sem medo ou favorecimento”.

A resposta da organização também aborda as críticas relacionadas à condução da pandemia de Covid-19. Autoridades norte-americanas alegaram que a OMS teria falhado ao compartilhar informações de forma oportuna e precisa e que teria ocultado problemas. A agência afirma que atuou rapidamente contra o vírus, compartilhou as informações disponíveis de forma transparente e orientou os Estados-membros com base nas melhores evidências científicas.

No comunicado, a OMS lembra que recomendou o uso de máscaras, vacinas e o distanciamento físico, mas ressalta que “em nenhum momento recomendou a obrigatoriedade” dessas medidas ou o isolamento total. Mesmo após ser notificada da retirada dos Estados Unidos, a organização afirmou que permanece comprometida com a cooperação global e que espera retomar o engajamento com o país no futuro.

A nota também destaca conquistas recentes, como a adoção do Acordo da OMS sobre Pandemias, descrito como um instrumento do direito internacional para prevenir e responder a futuras crises sanitárias. A agência lembra que, como membro fundador, os Estados Unidos contribuíram para resultados como a erradicação da varíola e avanços no enfrentamento de ameaças como poliomielite, HIV, ebola, gripe, tuberculose, malária, doenças tropicais negligenciadas, resistência antimicrobiana e segurança alimentar.

Por fim, a OMS afirma que buscou dialogar com os Estados Unidos “de boa-fé” e com respeito à soberania do país, e contesta a avaliação de que teria prejudicado a imagem ou a independência norte-americana.

 

 

Como informações da ONU*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus