A China ampliou as compras de soja do Brasil após cumprir um volume inicial de importações dos Estados Unidos, previsto em uma trégua comercial entre os dois países. Na última semana, importadores chineses reservaram pelo menos 25 cargas do grão brasileiro, com embarques concentrados principalmente em março e abril, segundo traders com conhecimento das negociações.
Ao mesmo tempo, empresas estatais chinesas reduziram as compras de soja americana, de acordo com as mesmas fontes. A movimentação ocorre em meio à diferença de preços entre os dois fornecedores. Segundo os operadores, a soja dos EUA entregue à China na modalidade custo e frete está sendo negociada com prêmio elevado em relação ao produto brasileiro para fevereiro, o que tornaria o processamento do grão americano deficitário.
A soja voltou a ocupar posição central nas relações comerciais entre China e Estados Unidos. Pequim havia evitado cargas americanas durante o período de maior tensão entre os dois países, mas retomou as compras como parte de um processo de reaproximação. Nos últimos três meses, a China adquiriu cerca de 12 milhões de toneladas de soja dos EUA, cumprindo um compromisso anunciado pelo governo americano em novembro.
Para analistas do mercado, a mudança no ritmo das compras reflete uma decisão econômica. Meng Zhangyu, da Wuchan Zhongda Futures, afirmou que faz sentido intensificar as aquisições de soja brasileira após o cumprimento do compromisso inicial com os Estados Unidos, já que o produto do Brasil está mais barato.
No médio e longo prazo, os Estados Unidos afirmam que a China se comprometeu a comprar ao menos 25 milhões de toneladas de soja americana por ano até 2028. Segundo Hanver Li, analista-chefe da Shanghai JC Intelligence, a China deve conseguir cumprir o acordo se a estrutura do pacto comercial for mantida, mesmo que isso exija medidas como gestão de estoques.
Pequim não confirmou oficialmente a meta de compras. O país, no entanto, reduziu tarifas e suspendeu proibições de importação impostas a três exportadores americanos. Ainda assim, as remessas dos EUA continuam sujeitas a tarifas em torno de 13%, segundo traders, e novas reduções podem ser necessárias para estimular a participação de esmagadoras privadas em uma próxima rodada de compras de soja americana.
Como informações do O Globo*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






