Alerta no Amazonas: casos de “urina preta” e a doença de Haff voltam a chamar atenção

Vigilância em Saúde apresenta balanço de casos no estado e relembra histórico da síndrome rara que provoca urina escura e mal-estar após consumo de certos peixes

A Doença de Haff, popularmente conhecida como “doença da urina preta”, voltou a ser destaque no Amazonas após a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) divulgar uma análise dos casos compatíveis com a síndrome no estado. A condição é caracterizada por rabdomiólise — destruição das células musculares — levando a sintomas como urina muito escura, fortes dores musculares, fraqueza e náuseas.

Segundo o panorama epidemiológico publicado no início de 2025, entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2024, foram notificados 11 casos compatíveis com a Doença de Haff em residentes de Itacoatiara e Parintins, municípios distantes de Manaus. Os sinais mais frequentes relatados incluíram dor muscular intensa, urina escura, mal-estar e fraqueza.

Embora os casos tenham sido relativamente poucos no último ano, o histórico da “urina preta” no Amazonas mostra que a condição já foi registrada com bem mais intensidade em períodos anteriores. Em boletins ampliados referentes a 2022 e 2023, foram notificados 114 casos compatíveis distribuídos em diversas cidades do estado, e a investigação epidemiológica indicou consumo de pescado como fator comum em muitos desses casos.

A Doença de Haff é descrita por especialistas como uma forma de rabdomiólise desencadeada após o consumo de certos peixes ou crustáceos, geralmente nas primeiras 2 a 24 horas após a ingestão, mesmo quando o alimento foi cozido. A causa exata ainda não é totalmente compreendida, mas a hipótese mais aceita é a presença de alguma toxina termoestável presente no pescado que não é destruída pelo cozimento.

O Amazonas, por sua grande tradição de consumo de peixes de água doce como pacu e tambaqui, é uma das regiões do Brasil onde a vigilância está mais atenta a essa condição. O boletim da FVS-RCP reforça que os casos são investigados com rigor pelas equipes municipais e estaduais de vigilância sanitária, com apoio do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS-AM), para distinguir a Doença de Haff de outras causas de rabdomiólise.

A rabdomiólise pode ter outras causas, incluindo traumas, infecções, atividade física intensa, álcool e certas substâncias, o que torna a investigação epidemiológica fundamental para confirmar a associação com o consumo de pescado.

Sintomas

Dor e rigidez muscular, dormência, fraqueza e urina escura devem motivar busca imediata por atendimento médico, pois a condição pode evoluir para complicações renais graves se não for tratada rapidamente.

A vigilância em saúde recomenda que, diante de sintomas suspeitos, a população procure unidades de saúde e que os profissionais mantenham alta atenção e notifiquem casos compatíveis, contribuindo para a identificação rápida e o monitoramento da doença no estado.


Com informações do portal FVS*

Por Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Manaus