Como verificar informações oficiais sobre a saúde financeira dos bancos no Brasil

Com o aumento de notícias sobre a situação financeira de instituições bancárias, consumidores e investidores podem consultar dados oficiais e indicadores públicos para diferenciar informações confiáveis de boatos e tomar decisões mais seguras.

Diante da circulação de notícias e rumores sobre a saúde financeira de bancos no Brasil, consumidores e investidores podem recorrer a ferramentas oficiais e indicadores públicos para avaliar a real situação das instituições financeiras e evitar decisões baseadas em desinformação.

Desde o fim de 2025, processos de liquidação de instituições financeiras conduzidos pelo Banco Central (BC) ampliaram a atenção do público para o tema. Nesse contexto, informações incorretas passaram a circular com maior frequência, tornando essencial a verificação de dados oficiais antes de qualquer decisão.

O primeiro passo é confirmar se a instituição é autorizada e supervisionada pelo Banco Central do Brasil. A consulta pode ser feita no site oficial do BC, por meio do serviço “Encontre uma Instituição”, disponível na área “Meu BC”. Apenas instituições autorizadas podem operar no Sistema Financeiro Nacional.

Outra etapa importante é o uso de bases públicas de dados. A Central de Demonstrações Financeiras do Sistema Financeiro Nacional (CDSFN), mantida pelo Banco Central, permite o acesso a balanços e demonstrativos financeiros das instituições. Plataformas como o Banco Data organizam essas informações de forma visual, enquanto os sites de Relações com Investidores (RI) das próprias instituições reúnem relatórios e dados obrigatórios de divulgação.

A análise de indicadores financeiros também contribui para a avaliação da solidez de um banco. Entre os principais estão o Índice de Basileia, que mede a relação entre capital próprio e riscos assumidos; o lucro líquido recorrente; o nível de inadimplência da carteira de crédito; o índice de imobilização; e as classificações de risco atribuídas por agências de rating.

Para investidores, é relevante verificar se a instituição possui cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, com limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. O FGC cobre produtos como contas correntes, poupança, CDBs, RDBs e letras de crédito, mas não garante investimentos como debêntures, CRI, CRA, fundos de investimento e títulos de capitalização.

Especialistas também apontam que ofertas de rentabilidade muito acima da média do mercado merecem atenção. Taxas elevadas podem indicar estratégias de captação mais agressivas, comuns em bancos de menor porte ou em situações específicas de mercado.

Além disso, alguns sinais costumam ser acompanhados de perto por analistas, como queda contínua do Índice de Basileia, prejuízos recorrentes, rebaixamento de rating, investigações em curso, ofertas excessivamente atrativas e a entrada da instituição em regimes especiais do Banco Central, como o Regime de Administração Especial Temporária (RAET).

Como forma de reduzir riscos, investidores costumam comparar essas opções com aplicações consideradas mais conservadoras, como títulos do Tesouro Direto e produtos de grandes bancos com histórico de solidez e cobertura do FGC.

Com informações da Assessoria.

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.