A candidata governista de direita Laura Fernández venceu as eleições presidenciais da Costa Rica no primeiro turno, realizadas no domingo, ao alcançar 48,5% dos votos. Com 88% das seções eleitorais apuradas, o resultado colocou Fernández quase dez pontos acima do patamar exigido para evitar um segundo turno.
O adversário mais próximo foi o economista e candidato social-democrata Álvaro Ramos, que obteve 33,18% dos votos. Ramos reconheceu a derrota e afirmou que apoiará a nova presidente quando as decisões forem em benefício do país.
Fernández, de 39 anos, afirmou em discurso na capital que não permitirá práticas autoritárias ou arbitrárias durante seu governo. Ela toma posse em 8 de maio.
Segurança e narcotráfico no centro do debate
A eleição ocorreu em meio ao avanço da violência associada ao narcotráfico. Sete em cada dez homicídios registrados no país estão ligados a esse tipo de crime, segundo dados das autoridades. Durante o atual governo, a taxa de homicídios atingiu 17 por 100 mil habitantes, o maior índice já registrado.
O presidente Rodrigo Chaves atribui o cenário ao Judiciário, alegando que decisões judiciais contribuem para a impunidade de criminosos. A Costa Rica, que por décadas foi considerada um dos países mais seguros das Américas, passou a atuar como centro logístico e de exportação de drogas.
Fernández defende medidas como o aumento de penas, a decretação de estados de emergência em áreas afetadas pela violência e a conclusão de uma prisão nos moldes da megaprisão construída em El Salvador pelo presidente Nayib Bukele.
Críticas da oposição e debate sobre autoritarismo
Setores da oposição afirmam que o partido governista busca replicar o modelo adotado por Bukele, que concentra poder e instituiu a reeleição indefinida em El Salvador. Há também críticas de que Rodrigo Chaves poderia exercer influência nos bastidores durante o mandato de Fernández.
A candidata foi chamada por adversários de “populista” e acusada de adotar uma retórica de confronto semelhante à de Chaves. Parte da oposição afirma que haveria intenção de alterar a Constituição para permitir o retorno de seu mentor ao poder, hipótese negada pela presidente eleita.
Durante a votação, o ex-presidente Óscar Arias, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1987, declarou que a democracia estava em risco e alertou para tentativas de mudanças constitucionais com o objetivo de prolongar mandatos.
Congresso, economia e cenário regional
Além da presidência, os eleitores escolheram os 57 membros do Congresso. Fernández busca formar maioria legislativa e já declarou interesse em conquistar até 40 cadeiras, o que permitiria reformas constitucionais e institucionais.
Apesar da redução da pobreza de 18% em 2024 para 15,2% em 2025, a Costa Rica permanece entre os seis países mais desiguais da América Latina, segundo o índice de Gini, e tem o segundo custo de vida mais alto da região, atrás apenas do Uruguai.
Fernández será a segunda mulher a governar o país, após Laura Chinchilla, eleita em 2010. Sua vitória também reforça o avanço de governos de direita na América Latina, após eleições recentes no Chile, Bolívia e Honduras.
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, parabenizou Fernández por telefone, referindo-se a ela como presidente eleita. Os Estados Unidos, aliados do governo Chaves, afirmaram respeitar o processo democrático costarriquenho, sem manifestar preferência por candidatos.
Com informações da Assessoria de Comunicação da DPE-AM*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






