A indústria brasileira fechou 2025 com crescimento acumulado de 0,6%, registrando o terceiro ano consecutivo de alta. O resultado sucede a expansão de 3,1% em 2024 e de 0,1% em 2023. Com o desempenho de dezembro, a produção industrial ficou 0,6% acima do patamar pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020, mas ainda permanece 16,3% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.
Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta terça-feira (3), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, o desempenho de 2025 foi marcado por desaceleração ao longo do ano. “Ao longo de 2025, verificou-se uma clara perda de ritmo, com o setor industrial passando de uma expansão de 1,2% nos seis primeiros meses para uma variação nula no segundo semestre. Esse menor dinamismo guarda uma relação importante com a política monetária mais restritiva, especialmente marcada pelo aumento na taxa de juros, o que impacta diretamente das decisões de investimento por parte das empresas e de consumo por parte das famílias”, afirmou.
Na comparação entre 2025 e 2024, o crescimento de 0,6% foi sustentado por resultados positivos em duas das quatro grandes categorias econômicas, 15 dos 25 ramos industriais, 42 dos 80 grupos e 49,6% dos 789 produtos pesquisados. As maiores contribuições vieram das indústrias extrativas, com alta de 4,9%, e do segmento de produtos alimentícios, que avançou 1,5%.
Em sentido oposto, entre as dez atividades que apresentaram queda na produção, o setor de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis registrou retração de 5,3%, exercendo a maior influência negativa sobre o resultado médio da indústria.
“O setor extrativo, especialmente impulsionado pelo petróleo, é o principal destaque positivo. É o que garante o avanço do total do setor industrial, ao passo que a indústria de transformação teve uma perda de 0,2% no ano de 2025”, avaliou Macedo.
Entre as grandes categorias econômicas, o desempenho dos últimos 12 meses mostrou crescimento nos bens de consumo duráveis, com alta de 2,5%, e nos bens intermediários, que avançaram 1,5%. Já os setores produtores de bens de consumo semi e não duráveis (-1,7%) e de bens de capital (-1,5%) encerraram o ano em queda.
Produção recua em dezembro
Na passagem de novembro para dezembro de 2025, a produção industrial recuou 1,2%, aprofundando o movimento negativo observado desde setembro, período em que o setor acumulou perda de 1,9%. A queda foi a mais intensa desde julho de 2024, quando a retração havia sido de 1,5%.
Na comparação com dezembro de 2024, houve crescimento de 0,4%, interrompendo duas taxas negativas consecutivas registradas em novembro (-1,4%) e outubro (-0,5%). A média móvel trimestral ficou em -0,5% em dezembro.
O recuo de 1,2% no último mês do ano atingiu as quatro grandes categorias econômicas e 17 dos 25 ramos industriais pesquisados. “Dezembro mostrou um perfil disseminado de taxas negativas. Este espalhamento de 17 atividades em queda é o maior desde setembro de 2022, quando foram 19”, analisou o gerente da PIM.
Com informações da Agência Gov*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






