Declarações de Infantino sobre Rússia dividem FIFA, UEFA e governos

Infantino defende fim da suspensão da Rússia e gera reação internacional

As declarações do presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendendo o fim da suspensão do futebol russo provocaram forte repercussão internacional e reacenderam o debate sobre a relação entre esporte e política em meio à guerra na Ucrânia.

Os clubes russos e a seleção nacional estão afastados das competições organizadas pela FIFA e pela UEFA desde fevereiro de 2022, após a invasão do território ucraniano. Para Infantino, no entanto, a punição aplicada ao país não trouxe os resultados esperados.
“Essa proibição não alcançou nada, apenas gerou mais frustração e ódio”, disse Infantino à Sky Sports.

“A possibilidade de meninas e meninos da Rússia jogarem futebol em outras partes da Europa seria uma grande ajuda.”

O dirigente reforçou que, em sua visão, a entidade máxima do futebol não deveria impor sanções esportivas por decisões políticas.

“Infantino afirmou que a FIFA nunca deveria proibir nenhum país de jogar futebol por causa dos atos de seus líderes políticos.”
“Alguém precisa manter os laços abertos”, acrescentou o homem de 55 anos.

As falas foram bem recebidas pelo Kremlin. Na terça-feira, o governo russo saudou publicamente a posição do presidente da FIFA. Questionado sobre o tema, o porta-voz Dmitry Peskov classificou os comentários como “muito bons” e avaliou que foi um erro politizar o esporte. Segundo ele, a seleção russa deveria ter seus direitos de competição totalmente restaurados.

A reação ucraniana, por outro lado, foi imediata e dura. O ministro dos Esportes da Ucrânia, Matvii Bidnyi, afirmou que os comentários de Infantino foram “irresponsáveis” e “infantis”.
“Eles dissociam o futebol da realidade em que crianças estão sendo mortas”, disse Bidnyi à Sky Sports.

A UEFA manteve sua posição contrária à reintegração da Rússia neste momento. O presidente da entidade, Aleksander Ceferin, reiterou que a guerra na Ucrânia precisa terminar para que o retorno do país às competições internacionais seja discutido, reforçando declarações feitas durante a entrevista coletiva de encerramento do Congresso da UEFA, em abril do ano passado.

Além da polêmica envolvendo a Rússia, Infantino também comentou a decisão da FIFA de conceder o prêmio da paz ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o sorteio da Copa do Mundo de 2026.

“Portanto, tudo o que pudermos fazer para ajudar a paz no mundo, devemos fazer, e por essa razão, há algum tempo estávamos pensando se deveríamos fazer algo para recompensar as pessoas que fazem algo”, disse Infantino.

 

 

 

Com informações da REUTERS*

Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus

Foto: Reprodução / Instagram