Justiça paralisa atividades da Vale em complexo de Ouro Preto após vazamento

Decisão determina suspensão imediata no Complexo de Fábrica, em Minas Gerais, após extravasamento de água e rejeitos.
Foto: Gustavo Andrade/Vale

A Justiça de Minas Gerais determinou a paralisação imediata de todas as atividades da mineradora Vale no Complexo Minerário de Fábrica, em Ouro Preto, após um vazamento de água e rejeitos registrado no dia 25 de janeiro. A decisão foi assinada na sexta-feira (6).

A medida atendeu a pedido do governo de Minas Gerais e do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Conforme a decisão, as operações só poderão ser retomadas após comprovação técnica da estabilidade e da segurança de todas as estruturas do complexo.

Em caso de descumprimento, a empresa poderá ser multada em R$ 100 mil por dia, até o limite de R$ 10 milhões. A Agência Brasil informou que entrou em contato com a Vale e aguarda posicionamento da empresa.

Vazamento e impactos ambientais

O vazamento ocorreu em uma das cavas da mina de Fábrica e atingiu cursos d’água que alimentam o rio Paraopeba. De acordo com o MPMG, houve assoreamento de córregos e danos à vegetação.

Segundo o Ministério Público, aproximadamente 263 mil metros cúbicos de água turva, contendo minério e resíduos do beneficiamento mineral, foram extravasados. O órgão aponta falha no sistema de drenagem do reservatório da mina.

A Promotoria também informou que a Vale levou cerca de dez horas para comunicar o ocorrido às autoridades, o que teria dificultado a atuação da Defesa Civil.

O material transportado pelo vazamento atingiu uma área da mineradora CSN, causando danos materiais. Em seguida, a lama chegou ao rio Goiabeiras, que atravessa parte da área urbana de Ouro Preto, antes de desaguar no rio Maranhão, na região central de Congonhas.

O rio Maranhão é afluente do rio Paraopeba, que ficou conhecido nacionalmente após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em janeiro de 2019.

Ação do MPF

Paralelamente, o Ministério Público Federal (MPF) ingressou com ação na Justiça e solicitou o bloqueio de mais de R$ 1 bilhão da Vale, com o objetivo de garantir a reparação dos danos ambientais e materiais.

 

 

Com informações da Agência Brasil*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus