O avanço das tecnologias baseadas em inteligência artificial (IA) tem mudado de forma acelerada a maneira como as pessoas se informam, se comunicam e consomem conteúdo nas redes sociais. Além das plataformas tradicionais, um novo modelo começa a chamar a atenção de especialistas: redes sociais criadas e operadas por inteligências artificiais, onde a interação ocorre, majoritariamente, entre bots.
O tema foi debatido no Jornal da Manhã desta terça-feira, 10, que recebeu Wanderlyn Raposo, especialista em cibersegurança do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT). Durante a entrevista, ele explicou que esse novo ambiente digital traz desafios relevantes para a segurança da informação e para a confiança nas interações online.
“Hoje é muito difícil saber se quem fala com você é humano. As inteligências artificiais já conseguem criar perfis, textos, imagens, vídeos e até vozes extremamente realistas”, afirmou.
Segundo o especialista do INDT, algumas dessas plataformas foram desenvolvidas para permitir que agentes de IA conversem entre si, a partir de instruções e personalidades previamente definidas. A proposta inicial é observar comportamentos, gerar análises e até simular cenários sociais sem interferência humana direta.
“Diferente de uma rede social tradicional, onde pessoas interagem entre si, essas plataformas foram pensadas para que os bots conversem entre eles. A ideia é observar que tipo de resultado pode surgir dessa interação puramente artificial”, explicou.
Riscos de segurança e privacidade
Do ponto de vista da cibersegurança, Wanderlyn Raposo alerta que esse modelo levanta preocupações importantes, especialmente em relação a vazamento de dados, uso indevido de permissões e falsificação de identidades.
“Quando a pessoa cria ou instala um agente de inteligência artificial, muitas vezes concede permissões amplas, como acesso a e-mails, arquivos e documentos. Se isso não for bem configurado, essas informações podem ser expostas”, disse.
Ele também destacou que falhas em plataformas baseadas em computação em nuvem podem permitir o acesso indevido a chaves de autenticação, conhecidas como chaves de API.
“Com uma chave dessas, alguém pode se passar por outra pessoa ou por uma inteligência artificial confiável, emitir opiniões e até induzir decisões”, alertou.
Desinformação e perfis artificiais
Outro ponto abordado foi a facilidade de criação de perfis artificiais e conteúdos falsos, cada vez mais comuns no ambiente digital.
“Hoje é muito fácil criar uma pessoa que não existe. Com poucos minutos de áudio ou imagem, já é possível gerar vídeos e mensagens convincentes”, afirmou.
Para o especialista do INDT, a principal defesa do usuário é a checagem constante da informação, a validação de fontes e o cuidado com mensagens recebidas de forma inesperada, mesmo quando aparentam vir de contatos conhecidos.
Uso consciente da inteligência artificial
Apesar dos riscos, Wanderlyn Raposo avalia que a inteligência artificial deve ser encarada como uma ferramenta que exige uso responsável e critérios de segurança.
“A inteligência artificial é um acelerador de processos e pode ajudar muito no dia a dia. O problema está no excesso de permissões e no uso sem cuidados”, explicou.
A recomendação é evitar o uso desses sistemas em computadores com dados sensíveis e optar por ambientes isolados ou virtualizados.
“Se protegendo, é possível usar essas tecnologias sem grandes problemas. O cuidado precisa estar no nível de acesso que você permite”, concluiu.
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






