Dia Mundial do Rádio: Valdir Correa relembra trajetória e projeta futuro da comunicação em entrevista na Jovem Pan News Manaus

Ícone do rádio amazonense, Valdir Corrêa participou do programa De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Manaus, apresentado por Tatiana Sobreira e Jackson Nascimento, e refletiu sobre sua carreira, a história do rádio no Brasil e os desafios da comunicação atual. O radialista também revelou que planeja retornar às ondas em março: “Radialista só se aposenta quando morre. Como estou vivo, continuo trabalhando”, disse.

Valdir Corrêa iniciou a entrevista elogiando a apresentação do programa e destacando a importância da dicção no rádio:

“Rapaz, essa menina fala muito bonito, viu? Não é só a fala, não. É uma dicção maravilhosa. Fiquei encantado. Parabéns.”

Durante a conversa, ele relembrou a origem do rádio, destacando curiosidades históricas:

“O rádio surge em 1919  e há controvérsia. Alguns citam o Padre Landell de Moura, outros Guglielmo Marconi. Como sou brasileiro, fico com o padre. A primeira emissora foi a Rádio Clube de Pernambuco, em 1919.”

O radialista contou como começou sua trajetória, trabalhando com alto-falantes em festas populares e propagandas de rua:

“Hoje eu não teria coragem, era muita cara de pau. Nos anos 70 participei de um concurso na Rádio Baré, de cem garotos, só eu e Raimundo Nonato Farias fomos escolhidos. Tivemos que estagiar quatro meses, sem ganhar um tostão, indo a pé buscar notícias nos subúrbios.”

Ele também relembrou sua passagem por emissoras como Rádio Tropical, Rio Mar e Rádio Difusora do Amazonas, onde permaneceu até janeiro deste ano:

“Encerrei minha participação lá, mas não encerrei a carreira. Radialista só se aposenta quando morre. Como estou vivo, continuo trabalhando.”

Valdir aproveitou para deixar uma pista sobre seu retorno:

“Assim que saiu nas redes sociais que eu deixaria a emissora, em menos de dez minutos já começaram a chegar convites para trabalhar. Estou analisando tudo com carinho. Mas, se Deus quiser, volto em março.”

Ele falou sobre sua relação com o público e como conquistou gerações diferentes:

“Conquistei um público que jamais imaginei. Comecei a mandar alô pras crianças na abertura do programa. Passava os nomes no ar, e elas começaram a se identificar comigo. O rádio é o amigo fiel do brasileiro.”

O radialista comentou também sobre a adaptação às novas tecnologias e o papel do comunicador moderno:

“Antes era só locutor e operador. Hoje existe equipe, tecnologia, plataformas. Sozinho você não faz mais nada. Todo dia é matar um leão. Se não acompanhar, fica pra trás.”

Valdir ainda compartilhou sua visão sobre o futuro do rádio:

“O rádio precisa se integrar à televisão. Hoje quem está no carro consome áudio, quem está em casa quer imagem e som. O rádio não pode viver isolado.”

Ao ser questionado sobre convites para política, ele reafirmou sua postura ética e comprometida com o público:

“Sempre fui honesto com o que digo. Não tenho preparo pra ser candidato. Deus me deu um dom, e pensei: vou ficar aqui, fazendo o que sei fazer. Dá menos dinheiro? Dá. Mas é honesto.”

Para finalizar, Valdir deixou uma mensagem inspiradora sobre a importância da comunicação e da imprensa:

“Diante do momento que o país atravessa, todos nós, comunicadores, devemos lutar pelo que é melhor. Existe um descrédito generalizado, e a esperança do povo continua sendo a imprensa. Se perdermos a credibilidade, tudo afunda. Viva a imprensa.”

A entrevista reforçou a relevância histórica e cultural do rádio, mostrando que, mesmo com as mudanças tecnológicas e de consumo, a voz de Valdir Corrêa continua conectando gerações e inspirando ouvintes.

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.