A disputa pela liderança na exploração lunar ganhou novo ritmo com o avanço dos projetos da SpaceX, comandada por Elon Musk, e da Blue Origin, fundada por Jeff Bezos. As duas empresas ampliaram esforços para levar humanos de volta à Lua antes da missão planejada pela China, prevista para 2030.
Musk afirmou, em reuniões internas e entrevistas recentes, que pretende construir uma base denominada “Base Lunar Alpha” e instalar equipamentos para lançamento de satélites na superfície lunar. O projeto está associado à expansão de uma rede de computação e inteligência artificial com grande número de satélites.
A estratégia representa uma mudança de foco da SpaceX, que historicamente priorizou a colonização de Marte. No ano passado, o empresário chegou a classificar a Lua como uma “distração”. Nas últimas semanas, porém, passou a defender publicamente a presença permanente da empresa no satélite natural.
Paralelamente, a Blue Origin redirecionou recursos do turismo espacial suborbital para o programa de pouso lunar Blue Moon. A empresa planeja realizar ainda neste ano uma missão não tripulada como etapa preparatória para voos com astronautas.
A movimentação ocorre em meio à expectativa de abertura de capital da SpaceX, prevista para o fim do ano, que pode avaliar a empresa em mais de US$ 1 trilhão. Musk tem buscado reforçar a posição da companhia como principal referência do setor espacial.
Nas redes sociais, Bezos reagiu às declarações do rival com uma publicação que remete à fábula da tartaruga e da lebre, reforçando o lema da empresa, “Gradatim Ferociter” (“passo a passo, ferozmente”).
Apoio da NASA e programa Artemis
As duas empresas são financiadas com recursos da NASA, que pretende utilizá-las no programa Artemis, voltado à retomada dos pousos tripulados na Lua. O plano prevê a utilização da nave Starship, da SpaceX, e do módulo Blue Moon, da Blue Origin.
Na semana passada, o módulo lunar da Blue Origin foi enviado ao Centro Espacial Johnson, no Texas, para testes térmicos e de vácuo. A etapa é considerada fundamental para a certificação do equipamento.
A agência espacial norte-americana vê o retorno à Lua como preparação para futuras missões a Marte. Por isso, tem pressionado as empresas a acelerarem o desenvolvimento, em resposta ao avanço do programa espacial chinês.
Infraestrutura e influência estratégica
Musk declarou recentemente que pretende construir uma “cidade autossustentável” na Lua e utilizar a superfície como ponto de lançamento de satélites voltados à computação de IA, após a aquisição da xAI pela SpaceX.
Para Andrew Chanin, CEO da ProcureAM, a criação antecipada de infraestrutura pode garantir vantagem estratégica. Segundo ele, quem chegar primeiro tende a influenciar o uso futuro da região.
Desafios técnicos
Apesar do avanço, a Starship ainda não colocou cargas em órbita. Desde 2023, o foguete foi lançado 11 vezes e está programado para um novo teste nos próximos meses. O módulo superior, projetado para funcionar como módulo lunar, tem como meta um pouso tripulado em 2028, prazo considerado difícil por parte da indústria.
A SpaceX ainda precisa concluir etapas como o reabastecimento em órbita e a realização de pousos seguros em terrenos irregulares antes de transportar astronautas.
A ex-diretora da NASA e atual consultora, Kathy Lueders, avalia que a rivalidade entre Musk e Bezos favorece a agência. Para ela, o aumento da competição ajuda os Estados Unidos a manterem vantagem frente à China.
Impacto no setor e investimentos
A disputa também tem impulsionado outras empresas do segmento. O CEO da Lunar Outpost, Justin Cyrus, relatou aumento do interesse de investidores em projetos voltados à infraestrutura lunar.
Segundo ele, nos últimos dois anos houve uma mudança significativa na percepção do mercado, intensificada pelas recentes declarações de Musk.
Com apoio governamental, investimentos bilionários e metas geopolíticas, a corrida lunar liderada por SpaceX e Blue Origin passou a ocupar posição central na nova fase da exploração espacial, combinando interesses econômicos, tecnológicos e estratégicos.
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






