Cheia dos rios já preocupa 42% dos municípios do Amazonas

Três cidades estão em emergência, 10 em alerta e 13 em atenção; governo prepara medidas de apoio e agricultores discutem criação do Seguro Várzea.

A cheia dos rios no Amazonas já afeta quase metade dos municípios do estado. Segundo a Defesa Civil do Amazonas, três cidades estão em situação de emergência: Boca do Acre, Eirunepé e Itamarati, localizadas nas calhas dos rios Purus e Juruá.

Outros dez municípios estão em alerta: Canutama, Carauari, Envira, Guajará, Ipixuna, Juruá, Lábrea, Pauini e Tapauá. Já treze estão em atenção: Amaturá, Apuí, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Fonte Boa, Humaitá, Jutaí, Maraã, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Tabatinga, Tefé e Tonantins.

O governo do estado realizou na última segunda-feira a primeira reunião de 2026 do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, com o objetivo de antecipar ações de prevenção e resposta ao período de enchentes, que deve atingir o pico nas próximas semanas devido a chuvas acima da média na região.

Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), entre 11 de janeiro e 9 de fevereiro, a região do rio Juruá acumulou 252 mm de chuvas, dentro da média histórica, enquanto os rios Solimões e Purus registraram volumes superiores à média: 270 mm e 274 mm, respectivamente.

O governador Wilson Lima (União) afirmou que o governo já prepara cestas básicas, kits de higiene e limpeza, além de reforço na saúde, para os municípios que declararam emergência. O monitoramento indica que as nove calhas de rios do estado estão em processo de enchente, podendo afetar 35 municípios, cerca de 173 mil famílias e mais de 690 mil pessoas.

Capital

Em Manaus, o rio Negro apresentou uma rápida elevação: entre 1º e 12 de fevereiro, subiu 1,04 m, superando o acumulado de janeiro (83 cm) e atingindo 23,88 metros. Embora não haja alerta de cheia histórica por enquanto, o SGB informou que novas previsões serão divulgadas em 31 de março de 2026, durante o primeiro Alerta de Cheias do ano.

Alerta

A economista Denize Kassama destacou os impactos sociais e econômicos da rápida subida das águas:

“Esses municípios e comunidades tendem a ficar isolados física e economicamente. É preciso criar um sistema de suporte para que não falte água potável e alimentos. O impacto econômico existe, inclusive por remanejamento de recursos, além de afetar plantações, pastos e prejudicar safras na região.”

A Associação Amazonense de Municípios (AAM) reforçou a preocupação com o avanço das águas, destacando riscos como a interdição da BR-230, Transamazônica, na altura do rio Umari, e o isolamento iminente de cidades como Lábrea, afetando suprimentos essenciais. A AAM orientou defesas civis a ativarem gabinetes de crise, priorizando estoques de itens vitais e solicitando transporte aéreo ou fluvial de emergência, além de manter monitoramento diário nas localidades em atenção.

Seguro Várzea

O deputado Luiz (Republicanos) apresentou a proposta do Seguro Várzea, voltada para agricultores afetados pelas cheias:

“O Seguro Várzea é um instrumento de proteção social e econômica destinado às populações atingidas pelos impactos do regime de cheias e vazantes dos rios do Estado. Ele vai garantir renda aos agricultores afetados pelas adversidades climáticas em nosso Amazonas.”

Segundo o parlamentar, o programa busca proteger a agricultura familiar, garantindo subsistência a produtores de banana, mamão, mandioca e macaxeira, minimizando os efeitos sociais e econômicos do regime hidrológico.

Com informações da Assessoria
Foto: Clovis Miranda/DPE-AM
Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus