A busca por uma segunda medalha nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina terminou antes do esperado para Lucas Pinheiro. Nesta segunda-feira, o brasileiro não conseguiu completar a primeira descida do slalom e ficou fora da decisão, em uma prova marcada por condições climáticas severas e alto índice de eliminações.
O dia em Bormio foi de neve intensa desde as primeiras largadas, cenário que elevou o grau de dificuldade da disputa.
Sexto a descer a pista, Lucas começou com parciais superiores às de Atle Lie McGrath, então líder da competição, mas reagia e ganhava velocidade ao longo do percurso. Na metade do trajeto, entretanto, perdeu a aderência em uma curva, escorregou e não conseguiu concluir a descida. Como o resultado final do slalom é definido pela soma dos tempos das duas descidas, o brasileiro acabou eliminado.
Ao todo, 96 esquiadores iniciaram a primeira etapa da prova, mas apenas 44 avançaram para a descida decisiva. Cinquenta atletas não completaram o percurso por quedas ou erros nas portas, enquanto dois acabaram desclassificados — números que evidenciam o nível de exigência enfrentado na montanha italiana.
A despedida precoce no slalom não apaga o brilho da campanha histórica construída dias antes. No sábado, Lucas surpreendeu o mundo ao conquistar a medalha de ouro no slalom gigante. Ele superou os nomes favoritos da modalidade e ficou com o lugar mais alto do pódio ao fechar as duas descidas com o 2min25s, 0s58 à frente do segundo colocado, o suíço Marco Odermatt.
Nascido em Oslo, na Noruega, Lucas é filho de mãe brasileira. Trocou a nacionalidade no esqui alpino em 2024, depois de integrar a delegação norueguesa nas Olimpíadas de Pequim 2022, quando não subiu ao pódio.
Desde que passou a defender o Brasil, acumulou pódios em etapas da Copa do Mundo e assumiu como meta elevar o país a um novo patamar nos esportes de inverno. Mesmo representando uma nação sem tradição na neve, cumpriu a missão em Milão-Cortina: garantiu um ouro inédito e fez o hino brasileiro ecoar no topo do pódio olímpico.
Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus
Foto: Fabrice Coffrini / AFP






