Há pautas que não pedem apenas registro, elas exigem presença e posicionamento estratégico.
Assim se firma a 2ª edição do Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade.
Em um cenário global que discute sustentabilidade em slides e relatórios, a Amazônia responde com entrega, legado e continuidade e pertencimento ancestral e milenar. Aqui, o conhecimento está para além do conceito. Ele reside na prática do dia a dia transmitida de geração em geração, com método, propósito e resultado. A palavra ganha movimento e a fala ganha personalidade viva dentro das comunidades e povos.
Promovido pelo Fundo Nacional para a Repartição de Benefícios, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o prêmio segue com inscrições abertas até 23 de fevereiro, por meio do portal Serviços e Informações do Brasil. O processo é direto, com formulário eletrônico, documentação comprobatória e a descrição objetiva da iniciativa. Governança clara, compliance em dia e foco no impacto como manda o manual.
Mas o que está em jogo vai além do edital. Esta premiação é o reconhecimento de 50 organizações que detêm, preservam e fazem circular saberes tradicionais associados à fauna e à flora brasileiras, dentro de um ativo estratégico do país. A distribuição é cirúrgica, detalhada e precisa: 13 indígenas, 12 quilombolas, 12 de agricultores familiares e 13 de povos e comunidades tradicionais.
Não é cota. É a representatividade estruturada e presente.
O diferencial está na repartição de benefícios. São recursos financeiros para aprimorar atividades e visibilidade institucional para quem, há décadas, sustenta a biodiversidade com técnica, ética e pertencimento.
É justiça social e ambiental saindo do papel e entrando no território de fato. É política pública com lastro, mirando eficiência e longevidade. ë a história sendo preservada, ganhando contornos de ações permanentes com financiamento de fato.
E aqui cabe a reflexão que norteia esta coluna. Que Amazônia é essa, tão abundante que não cabe em si? Transbordamos fronteiras, conceitos e métricas. O nosso protagonismo amazônico não é retórico. Ele nunca se deixou innundar por conceitos de outros, é operacional e vivo. Ele se materializa quando comunidades e etinias mantêm florestas em pé, manejam recursos com inteligência ancestral e entregam resultados que o mundo tenta replicar. Isso é respeito para quem vive e sobrevive da folresta.
Valorizar essas guardiãs é reconhecer que o futuro já está em curso, e ele nasce onde tradição e inovação caminham juntas. Não um discurso solto em palestras feitas em salar climatizadas distantes centenas de milhares de quilometros da nossa realidade.
Faço uma provocação- Queentender o Brasil que funciona? Precisa olhar para o Norte. O resto é comparação e desconhecimento equivocado, ignorante e tardio.
Para participar, é necessário preencher o formulário eletrônico, anexar a documentação exigida e apresentar uma breve descrição da iniciativa a ser reconhecida.
Coluna Soul do Norte, por Tatiana Sobreira





