EUA ampliam presença militar no Oriente Médio antes de negociações com o Irã

Imagens de satélite analisadas pela BBC apontam aumento da presença de navios de guerra e aeronaves dos Estados Unidos no Oriente Médio às vésperas de nova rodada de negociações com o Irã. O porta-aviões USS Abraham Lincoln foi localizado próximo à costa de Omã.

Imagens de satélite confirmaram a presença do porta-aviões americano USS Abraham Lincoln no Mar Arábico, próximo ao Irã, dias antes de uma nova rodada de negociações entre autoridades dos dois países realizada na Suíça. O reforço militar ocorre em meio a discussões sobre o programa nuclear iraniano e sanções econômicas.

Autoridades dos Estados Unidos e do Irã participaram, nesta terça-feira (17), de um segundo encontro diplomático em território suíço para tratar do programa nuclear iraniano e da possibilidade de suspensão de sanções impostas por Washington. O governo americano indicou interesse em ampliar a pauta das discussões para outras questões regionais e de segurança.

Segundo a BBC Verify, equipe de checagem da BBC, o USS Abraham Lincoln lidera um grupo de ataque composto por três destróieres com mísseis guiados e transporta cerca de 90 aeronaves, incluindo caças F-35, além de aproximadamente 5,6 mil tripulantes. A embarcação foi localizada a cerca de 240 km da costa de Omã, país separado do Irã pelo Golfo de Omã.

Além do Abraham Lincoln, os EUA também teriam deslocado o USS Gerald R. Ford, considerado o maior navio de guerra do mundo, para a região. A chegada está prevista para as próximas semanas.

Levantamento da BBC identificou ao menos 12 navios americanos no Oriente Médio, incluindo porta-aviões, destróieres e navios de combate próximos à costa. Parte das embarcações está posicionada na base naval do Bahrein, no Golfo Pérsico, enquanto outras foram vistas no Mediterrâneo Oriental e no Mar Vermelho.

A movimentação também inclui reforço aéreo. Foram observados caças F-15 e EA-18 na base aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia, além do aumento de voos de aeronaves de carga, reabastecimento e comunicação partindo dos EUA e da Europa.

Resposta iraniana

Em meio ao reforço americano, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã realizou exercícios marítimos no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás. O comandante da força, major Mohammad Pakpour, acompanhou manobras que incluíram lançamento de mísseis a partir de embarcações.

O estreito concentra cerca de um quinto do fluxo mundial de petróleo e gás, incluindo exportações iranianas.

Comparação com operações anteriores

Especialistas ouvidos pela BBC avaliam que o atual posicionamento militar apresenta maior escala e capacidade de sustentação quando comparado a mobilizações anteriores, como a operação realizada contra a Venezuela ou a chamada Operação Martelo da Meia-Noite, que teve como alvo instalações nucleares iranianas no ano passado.

Durante essa operação, os EUA mobilizaram dois grupos de ataque de porta-aviões, destróieres no Mediterrâneo e no Mar Vermelho e deslocaram aeronaves estratégicas, incluindo bombardeiros B-2.

Analistas apontam que a atual configuração permite ampliar ou reduzir a presença militar conforme o andamento das negociações diplomáticas, mantendo capacidade de resposta na região.

Com informações da Assessoria.

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.