Aquecimento global amplia risco de surtos de chikungunya na Europa, aponta estudo

Estudo aponta que avanço das temperaturas amplia áreas e períodos de risco na Europa e reforça alerta para o Amazonas, que registrou alta de casos em 2025
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O aquecimento global aumentou o risco de surtos de chikungunya na Europa, segundo estudo do Centro para a Ecologia e Hidrologia do Reino Unido (UKCEH). A pesquisa aponta que o vírus pode se espalhar em temperaturas entre 13 °C e 14 °C, abaixo do limite mínimo indicado por estudos anteriores, que variava entre 16 °C e 18 °C.

De acordo com os pesquisadores, as novas estimativas ampliam as áreas e os períodos do ano com potencial para transmissão local da doença. Um mapa elaborado pelo estudo mostra o risco em áreas de 10 quilômetros quadrados em toda a Europa, incluindo o Reino Unido.

As regiões mais quentes do continente concentram o maior risco, principalmente onde o mosquito-tigre asiático (Aedes albopictus) já está estabelecido. Nessas áreas, a ameaça de transmissão pode durar vários meses ao longo do ano.

Em 2025, França e Itália registraram números recordes de surtos locais de chikungunya. O Aedes albopictus também tem sido associado ao aumento de casos de dengue nesses países. No sudeste da Inglaterra, o mosquito é detectado ocasionalmente e ainda não está estabelecido, o que mantém baixo o risco atual, embora haja possibilidade de crescimento de casos.

O primeiro surto conhecido do vírus chikungunya (CHIKV) foi registrado na Tanzânia, em 1952. Atualmente, a doença afeta mais de 110 países da Ásia, África, Europa e Américas. Até 8 de novembro de 2024, cerca de 480 mil casos e 190 mortes haviam sido contabilizados em 23 países.

Desde sua introdução no sul da Europa, em 2007, o Aedes albopictus se espalhou para regiões centrais e do norte, tornando-se o principal vetor do CHIKV no continente. O primeiro surto europeu com transmissão local ocorreu na Itália, em 2007. Em 2017, Itália e França registraram novos episódios de grande escala. Em novembro de 2024, um caso local foi confirmado na França continental.

O estudo foi liderado pelo pesquisador Sandeep Tegar, que afirmou, em nota, que a Europa está se aquecendo rapidamente e que o mosquito vem avançando para o norte. Segundo ele, o novo limite mínimo de temperatura amplia o número de áreas e meses do ano adequados à transmissão.

“O limite mais baixo que identificamos resultará em mais regiões e períodos potencialmente favoráveis ao vírus”, afirmou.

Para o pesquisador, o mapeamento das áreas e dos períodos de risco permite que autoridades locais definam quando e onde adotar medidas para reduzir a ocorrência ou a intensidade dos surtos.

Outro estudo científico indica que o avanço das temperaturas deve provocar mais infecções nos próximos anos, com possibilidade de expansão da doença para até 29 países. A região sul da Europa é apontada como a mais vulnerável.

Pesquisa publicada no Journal of Royal Society Interface e divulgada pelo jornal britânico The Guardian identificou Albânia, Grécia, Itália, Malta, Espanha e Portugal como os países sob maior risco de epidemias.

O vírus é transmitido principalmente pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, que se reproduzem em ambientes quentes. Segundo os pesquisadores, países do norte europeu ainda apresentam menor impacto, mas a tendência é de expansão.

Com base na análise do tempo de incubação do vírus no Aedes albopictus, os cientistas concluíram que a temperatura mínima para infecção pode chegar a 2,5 °C. Já a faixa mais favorável à transmissão varia entre 13 °C e 14 °C.

A chikungunya provoca dores intensas nas articulações, que podem persistir por anos. A doença pode ser grave em crianças e idosos. Não há transmissão direta entre pessoas, mas já foram documentados casos raros de transmissão vertical e por transfusão de sangue, segundo artigo publicado pelo Hospital da Luz.

Historicamente, os invernos europeus funcionavam como barreira para a atividade dos mosquitos. Com o aquecimento global, essa proteção vem diminuindo, especialmente no sul do continente, onde os vetores já atuam durante todo o ano.

Dados do estudo indicam que o ritmo de aumento das temperaturas na Europa é aproximadamente o dobro da média global, o que amplia o impacto sobre a circulação do vírus.

A líder da equipe da Organização Mundial da Saúde para doenças transmitidas por vetores, Diana Rojas Alvarez, alertou que até 40% dos infectados podem desenvolver dores articulares persistentes. Ela defendeu ações de controle dos mosquitos, educação da população, eliminação de água parada e criação de sistemas de vigilância.

Segundo os autores, os dados reunidos oferecem subsídios para que autoridades planejem respostas mais eficazes diante do avanço da chikungunya no continente.

Alta da Chikungunya no Amazonas

O Amazonas registrou aumento de quase 290% nos casos de chikungunya em 2025, com 156 confirmações, contra 40 em 2024, segundo a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP).

Os casos foram registrados em 26 municípios, principalmente no interior. Em contrapartida, a dengue teve queda de 41%, com 4.667 casos, e redução de 71% nas mortes. Os casos de zika diminuíram 68%, enquanto não houve registros de febre do Oropouche e a febre do Mayaro caiu mais de 50%. A FVS-RCP destaca que, apesar dos avanços, é necessário manter o monitoramento, o controle do mosquito e a vacinação.

 

Com informações da InfoMoney*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus