A maior jogadora da história do futebol feminino completa 40 anos nesta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026. Natural de Dois Riachos, em Alagoas, Marta Vieira da Silva construiu uma trajetória que ultrapassa números e troféus, transformando-se em referência global dentro e fora dos gramados.
Atualmente no Orlando Pride, nos Estados Unidos, a brasileira se prepara para a 26ª temporada profissional, mantendo-se em alto nível na National Women’s Soccer League (NWSL). A longevidade impressiona, especialmente em uma posição que exige explosão e intensidade constantes.
Recordes com a camisa da Seleção
Pela Seleção Brasileira Feminina de Futebol, Marta soma 132 gols oficiais e ocupa o posto de maior artilheira da história da equipe, superando inclusive marcas do futebol masculino. O recorde que a colocou acima de Pelé foi alcançado nos Jogos Olímpicos Rio 2016, consolidando seu nome entre os maiores ícones do esporte nacional.
Ela também é a principal goleadora da história das Copas do Mundo, com 17 gols marcados, além de ter participado de seis edições do Mundial e seis Jogos Olímpicos.
Nas Olimpíadas, subiu ao pódio três vezes com medalhas de prata: em Jogos Olímpicos Atenas 2004, Jogos Olímpicos Pequim 2008 e Jogos Olímpicos Paris 2024. A medalha mais recente, conquistada aos 38 anos, simbolizou sua resiliência após superar uma expulsão na fase de grupos e retornar para liderar o time na decisão.
Domínio mundial e homenagem inédita
Marta conquistou seis vezes o prêmio de melhor jogadora do mundo da Fifa — em 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e 2018 — estabelecendo um padrão de excelência raramente visto no futebol. Sua primeira eleição ocorreu aos 20 anos.
Em 2024, a FIFA criou o prêmio Marta, destinado ao gol mais bonito do ano no futebol feminino. Na primeira edição, a própria brasileira venceu com um gol anotado em amistoso contra a Jamaica, ampliando ainda mais seu legado simbólico no esporte.
Conquistas na Europa e nos Estados Unidos
A projeção internacional começou na Suécia, defendendo o Umeå IK, onde conquistou a Liga dos Campeões da Uefa em 2004, além de quatro Campeonatos Suecos e uma Copa da Suécia. O sucesso europeu abriu portas para o mercado norte-americano.
Nos Estados Unidos, brilhou por equipes como FC Gold Pride e Western New York Flash. Em 2024, já pelo Orlando Pride, levantou o troféu da NWSL, mantendo a tradição de conquistar títulos por todos os clubes que defendeu desde 2004.
Momentos históricos no Brasil
Em 2009, sua passagem pelo Santos Futebol Clube foi marcada pela conquista da primeira edição da Copa Libertadores Feminina e da Copa do Brasil. A presença da camisa 10 levou milhares de torcedores aos estádios e reforçou o potencial comercial do futebol feminino.
No Estádio do Maracanã, protagonizou um dos episódios mais emblemáticos da carreira ao marcar cinco gols contra o Canadá nos Jogos Pan-Americanos de 2007, diante de 67 mil pessoas. Naquele ano, tornou-se a pessoa mais jovem a integrar a Calçada da Fama do estádio.
Já no Estádio Nilton Santos, em 2016, consolidou o recorde de gols que a colocou acima de Pelé na contagem histórica da Seleção.
Liderança continental e posicionamento social
Na Copa América de 2025, mesmo sem ser titular em todas as partidas, foi decisiva na final contra a Colômbia ao marcar dois gols. O título veio após disputa de pênaltis, reforçando sua capacidade de decisão em momentos críticos.
Fora de campo, Marta também se tornou voz ativa em debates sobre igualdade de gênero e investimento no esporte. Em 2010, foi nomeada embaixadora da ONU para combater a pobreza e, em 2018, assumiu o posto de Embaixadora da ONU Mulheres, com foco no empoderamento feminino por meio do esporte.
Ao longo da carreira, posicionou-se contra desigualdades estruturais no futebol e liderou, em 2014, um movimento contra o uso de gramados sintéticos na Copa do Mundo feminina, defendendo condições iguais às oferecidas aos homens.
De Dois Riachos para o mundo
Revelada aos 14 anos pelo Vasco da Gama, Marta superou barreiras sociais e geográficas até se tornar referência global. Mesmo vivendo há décadas no exterior, mantém laços com o futebol brasileiro e inspira novas gerações a ocupar espaços historicamente restritos às mulheres.
Aos 40 anos, sua trajetória mistura recordes, títulos, ativismo e pioneirismo. Mais do que números, Marta consolidou um legado que redefiniu o futebol feminino e abriu caminhos para que outras meninas sonhem mais alto.
Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus
Foto: CBF






