Ex-príncipe Andrew é liberado após prisão por suspeita de má conduta em cargo público no Reino Unido

Filho da rainha Elizabeth II foi detido por cerca de 11 horas durante investigação sobre possível compartilhamento de informações confidenciais ligadas a Jeffrey Epstein
Foto: Toby Melville/Reuters

O ex-príncipe britânico Andrew Mountbatten-Windsor foi liberado nesta quinta-feira (19), após permanecer cerca de 11 horas sob custódia policial no Reino Unido. Ele havia sido preso sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público.

Imagens registraram Andrew reclinado no banco traseiro de um veículo ao deixar uma delegacia por volta das 19h, no horário local.

Segundo a polícia de Thames Valley, responsável pela investigação, o ex-príncipe foi liberado “sob investigação”. As buscas realizadas em Norfolk, onde ele reside, foram concluídas.

Operação incluiu buscas em propriedades

Em comunicado divulgado pela manhã, a polícia informou que um homem na faixa dos 60 anos, residente em Norfolk, estava sob custódia enquanto agentes realizavam buscas em endereços nos condados de Berkshire e Norfolk.

Viaturas foram vistas chegando à propriedade onde Andrew vive em Sandringham por volta das 8h. A detenção ocorreu após avaliação de denúncia relacionada ao possível compartilhamento de material confidencial com o financista norte-americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais.

Em nota, representantes do ex-príncipe afirmaram que o caso seguirá “um processo completo, justo e apropriado” conduzido pelas autoridades competentes, com cooperação da defesa.

Investigação envolve troca de e-mails

Esta é a primeira vez que Andrew é preso. As autoridades ainda não detalharam quais condutas específicas estão sendo investigadas nem o fato que motivou a detenção.

O ex-príncipe, que completa 66 anos, nega qualquer irregularidade.

De acordo com informações divulgadas pela BBC, a investigação analisa comunicações eletrônicas encontradas em arquivos relacionados a Epstein. Um dos e-mails aponta que, em novembro de 2010, após retornar de viagem oficial à Ásia financiada pelo governo britânico, Andrew teria encaminhado relatórios oficiais recebidos minutos antes ao empresário.

Outro e-mail, enviado em dezembro do mesmo ano, indicaria o compartilhamento de informações sobre oportunidades de investimento na reconstrução da província de Helmand, no Afeganistão, então supervisionada pelas Forças Armadas do Reino Unido.

Há ainda registro de mensagem enviada em fevereiro de 2011 na qual Andrew teria sugerido investimentos em uma empresa de private equity visitada dias antes.

Apoio institucional à investigação

Segundo o correspondente da BBC no Reino Unido, Daniel Sandford, os e-mails divulgados podem representar apenas parte das evidências analisadas. Investigadores teriam solicitado acesso a comunicações adicionais junto ao governo britânico e ao palácio real.

A Agência Nacional de Combate ao Crime auxilia a polícia nos pedidos de informação.

Andrew foi destituído dos títulos reais em outubro de 2025, após desdobramentos do escândalo envolvendo Epstein. Ele não respondeu aos pedidos recentes de comentário sobre as acusações relacionadas à divulgação de arquivos tornados públicos nos Estados Unidos.

O rei Charles III afirmou, em comunicado, ter recebido a notícia com preocupação e declarou que a lei deve seguir seu curso.

 


Com informações da BBC*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus