O governo brasileiro elevou, no início deste mês, a alíquota de importação sobre mais de mil produtos vindos do exterior, incluindo telefones inteligentes (smartphones), máquinas industriais e equipamentos de informática e telecomunicação. A decisão aumentou a taxação em até 7,2 pontos percentuais para alguns setores. Parte do aumento já entrou em vigor, enquanto o restante começa a valer em março.
O Ministério da Fazenda justificou a medida afirmando que, desde 2022, as importações de bens de capital e de informática cresceram 33,4% e que sua participação no consumo nacional atingiu 45% em dezembro do ano passado, “níveis que ameaçam colapsar elos da cadeia produtiva e provocar regressões produtiva e tecnológica do país, de difícil reversão”. O governo destacou que a medida é “moderada e focalizada” e busca reequilibrar preços relativos, conter a concorrência assimétrica e reduzir vulnerabilidade externa.
Apesar do aumento das tarifas, importadores criticam a medida. Mauro Lourenço Dias, presidente do Fiorde Group, avaliou que a alta pode prejudicar a competitividade das empresas. “O aumento das alíquotas impacta diretamente a capacidade de investimento das empresas. Estamos falando de máquinas, peças e tecnologia que são essenciais para modernização e ganho de produtividade. Quando o custo sobe de forma abrupta, muitos projetos ficam comprometidos e a competitividade do Brasil no cenário internacional é afetada”, afirmou.
Segundo o especialista, o aumento pode ter reflexos práticos em diversos setores, afetando preços de televisores, eletrodomésticos, manutenção de equipamentos hospitalares, exames médicos, motores de portão em condomínios e obras de infraestrutura, como metrôs e projetos de mineração. O Ministério da Fazenda, por sua vez, projeta que o efeito inflacionário no IPCA será baixo e defasado, já que se trata principalmente de bens de produção.
O governo também permite que pedidos de redução temporária da alíquota para zero sejam feitos até 31 de março, com concessão provisória por até 120 dias para produtos que já tinham benefícios anteriores.
Entre os produtos afetados estão:
- Smartphones
- Torres e pórticos
- Reatores nucleares
- Caldeiras
- Geradores de gás de ar
- Turbinas para embarcações
- Motores para aviação
- Bombas para distribuição de combustíveis ou lubrificantes
- Fornos industriais
- Congeladores (freezers)
- Robôs industriais
- Máquinas para panificação, açúcar e cervejaria
- Cartuchos de tinta
- Tratores
- Aparelhos de diagnóstico médico por ressonância magnética e tomografia computadorizada
- Navios de guerra e plataformas de exploração submersa, entre outros
O Ministério informou que, em 2025, os principais países de origem das importações foram Estados Unidos (US$ 10,18 bilhões, 34,7%), China (US$ 6,18 bilhões, 21,1%), Singapura (US$ 2,58 bilhões, 8,8%) e França (US$ 2,52 bilhões, 8,6%). A medida, segundo a Fazenda, segue tendência internacional de proteção setorial e instrumentos tarifários usados para corrigir choques externos e práticas de dumping.
O aumento ocorre em meio a debate global sobre tarifas. Nesta sexta-feira (20), a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou parte do aumento de impostos imposto por Donald Trump sobre importações de quase todos os parceiros comerciais dos EUA, decisão que reforça a atenção de países como o Brasil sobre medidas protecionistas externas.
Com informações do G1*
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