O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou neste domingo (22) da Índia com destino à Coreia do Sul, onde cumpre visita oficial a partir de segunda-feira (23). A agenda ocorre a convite do governo sul-coreano e integra um giro estratégico do Brasil pela Ásia.
Esta será a terceira vez que Lula visita o país asiático — ele esteve em território sul-coreano em 2005 e 2010. No entanto, é a primeira ocasião em que a viagem ocorre com status de visita de Estado, o que representa maior relevância política, diplomática e econômica para ambos os lados.
Parceria estratégica em pauta
A expectativa é que os presidentes formalizem um “Plano de Ação 2026-2029”, documento que deve consolidar um novo patamar de cooperação bilateral. Além disso, os líderes devem tratar de áreas prioritárias e trocar avaliações sobre o cenário geopolítico internacional.
No último ano, Lula se reuniu duas vezes com o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung: em junho, durante a cúpula do G7, no Canadá, e em novembro, na reunião do G20, realizada na África do Sul. De acordo com interlocutores do Ministério das Relações Exteriores, a sintonia entre os dois mandatários ficou “clara e evidente”.
Brasil e Coreia do Sul mantêm relações diplomáticas desde 1959, acumulando mais de seis décadas de cooperação.
Comércio e investimentos em alta
A aproximação com países asiáticos faz parte da estratégia do governo brasileiro de diversificar mercados e ampliar exportações, além de atrair investimentos estrangeiros. A meta é reduzir a dependência de parceiros tradicionais e fortalecer a presença do Brasil na Ásia.
Desde 2024, a Coreia do Sul anunciou aproximadamente US$ 8,8 bilhões em investimentos no Brasil, sendo quase 80% direcionados à indústria de transformação. No comércio bilateral, o fluxo entre os dois países atingiu US$ 10,8 bilhões no último ano, com superávit de US$ 174 milhões para o Brasil.
Entre os parceiros asiáticos, a Coreia do Sul ocupa a quarta posição no ranking comercial brasileiro e aparece em 13º lugar na lista global.
Cultura como ponte entre os países
Além das relações diplomáticas e econômicas, a presença cultural sul-coreana no Brasil tem crescido de forma significativa. O sucesso global do k-pop, das produções televisivas e do cinema ampliou o interesse do público brasileiro.
A chamada “K-beauty ” também ganhou espaço no mercado nacional, impulsionando a procura por rotinas e produtos de cuidados com a pele. Séruns e outros itens inspirados no padrão estético coreano se popularizaram nas redes sociais e no varejo, influenciando inclusive empresas brasileiras do setor de cosméticos, que passaram a acompanhar mais de perto as inovações tecnológicas desenvolvidas na Coreia do Sul.
A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, acompanhou o presidente até a Índia, mas seguiu antes para a Coreia do Sul, onde cumpre compromissos próprios ao lado da primeira-dama sul-coreana.
Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus
Foto:Ricardo Stuckert/PR






