Narcotraficante mais procurado do México morre durante operação militar

Narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes morreu após confronto com forças armadas em Jalisco; ação provocou bloqueios e incêndios em estradas do país
Foto: QTF/X

O narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, morreu neste domingo (22) durante uma operação militar realizada na cidade de Tapalpa, no estado de Jalisco, região centro-oeste do México. A informação foi confirmada pelo Ministério da Defesa mexicano.

Segundo o governo, o líder do Cartel Jalisco Nueva Generación sofreu ferimentos graves durante a ação e morreu enquanto era transferido de avião para a Cidade do México. Outros integrantes do grupo também morreram no confronto.

Durante a operação, militares apreenderam veículos blindados e armamentos, incluindo lançadores de foguetes. Três soldados ficaram feridos e foram encaminhados para hospitais na capital mexicana.

Após a divulgação da morte do narcotraficante, autoridades registraram incêndios de veículos e bloqueios de rodovias em diferentes pontos do estado de Jalisco.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum Pardo, afirmou que há coordenação entre os governos estaduais e federais e pediu calma à população. Ela também reconheceu a atuação do Exército Mexicano, da Guarda Nacional e das forças de segurança envolvidas na operação.

O governador de Jalisco, Pablo Lemus Navarro, informou que confrontos ocorreram em Tapalpa e em outras áreas do estado. Segundo ele, grupos não identificados incendiaram veículos e os posicionaram nas vias para dificultar o deslocamento das autoridades.

O governo dos Estados Unidos comemorou a morte do narcotraficante. O subsecretário de Estado, Christopher Landau, classificou a operação como um avanço no combate ao crime organizado.

O Departamento de Estado norte-americano emitiu alerta para que cidadãos americanos permaneçam abrigados nos estados de Jalisco, Tamaulipas e em áreas de Michoacán, Guerrero e Nuevo León.

A Embaixada do México em Washington informou que autoridades americanas forneceram informações de inteligência utilizadas na operação militar, dentro da cooperação bilateral entre os países.

Quem era “El Mencho”

Nascido em julho de 1966 no estado de Michoacán, Oseguera foi policial em Jalisco antes de retornar ao narcotráfico. Na década de 1990, atuou nos Estados Unidos e, em 1994, foi condenado na Califórnia por conspiração para distribuir heroína, cumprindo três anos de prisão.

Ele fundou o Cartel Jalisco Nueva Generación a partir de remanescentes do Cartel Milenio após a prisão de Óscar Nava Valencia, em 2009. O grupo expandiu suas atividades na última década, atuando na produção e no tráfico de metanfetamina, cocaína e fentanil, além de extorsão.

O cartel tornou-se rival do Cartel de Sinaloa, anteriormente liderado por Joaquín Guzmán, preso nos Estados Unidos.

As autoridades americanas chegaram a oferecer recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à captura de El Mencho. O grupo foi classificado pelos EUA como organização terrorista em fevereiro de 2025.

Segundo a Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), o CJNG mantém conexões em mais de 40 países e controla rotas internacionais de tráfico, incluindo o fornecimento de fentanil ilícito para o mercado norte-americano.

Estrutura do cartel e impactos da morte

O CJNG ganhou notoriedade por ataques contra forças de segurança mexicanas, incluindo o abate de um helicóptero militar em 2015 e ações coordenadas com bloqueios simultâneos em municípios do país.

Especialistas apontam que a morte do líder não deve interromper imediatamente as operações do cartel, que funciona por meio de estruturas regionais independentes. Estimativas indicam que a organização reúne cerca de 90 grupos associados.

 

 

Com informações do G1 e CNN*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus