Amazônia gera US$ 20 bilhões por ano em chuva, aponta estudo internacional

Um estudo publicado na revista Nature Portfolio estima que a floresta amazônica gera cerca de US$ 20 bilhões anuais em serviços de precipitação, com impacto direto na agricultura brasileira. Cada hectare contribui com cerca de US$ 59 por ano em água utilizada para produção agrícola.

A Amazônia não é apenas um reservatório de carbono, mas uma infraestrutura climática com impacto bilionário. Pesquisa internacional publicada na Nature Portfolio revela que a chuva gerada pela floresta tropical equivale a aproximadamente US$ 20 bilhões por ano em valor econômico para o Brasil, reforçando a importância da preservação ambiental para a estabilidade agrícola e econômica do país.

O estudo “Quantifying tropical forest rainfall generation”, publicado no periódico Communications Earth & Environment, combinou modelos climáticos internacionais (CMIP6) com dados de satélite para calcular o valor econômico direto da chuva gerada pelas florestas tropicais. Os resultados indicam que cada 1% de desmatamento na Amazônia reduz a precipitação anual em cerca de 3 mm, enquanto cada metro quadrado de floresta contribui com cerca de 300 litros de chuva por ano.

Ao converter esses volumes de água em valor econômico para a agricultura, os pesquisadores estimaram que cada hectare de floresta amazônica gera cerca de US$ 59 (R$ 305) anuais em serviços de precipitação. Projetando para toda a Amazônia Legal, o impacto econômico anual chega a aproximadamente US$ 19,6 bilhões (cerca de R$ 100 bilhões).

Além do valor direto para a agricultura, o estudo evidencia que o desmatamento pode reduzir a oferta hídrica para hidrelétricas, aumentar a volatilidade da produção agrícola e elevar o custo de capital das cadeias econômicas dependentes de clima estável. Para investidores e formuladores de políticas, a floresta deixa de ser apenas um ativo ambiental, tornando-se uma infraestrutura macroeconômica crucial.

Pesquisas paralelas do Instituto de Energia e Ambiente da USP reforçam esses resultados, mostrando impactos do desmatamento sobre a disponibilidade de água para usinas e setores produtivos. A conclusão é clara: a preservação da Amazônia não é apenas uma questão ambiental, mas também econômica, com implicações para crescimento, inflação de alimentos e riscos climáticos.

Com informações da Assessoria.

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.