Escassez de terras raras pressiona setores aeroespacial e de semicondutores nos Estados Unidos

Falta de ítrio e escândio afeta cadeia de suprimentos estratégica e expõe dependência dos EUA da produção chinesa
Foto: REUTERS/Florence Lo/Ilustração/Foto de Arquivo

Fornecedores das indústrias aeroespacial e de semicondutores dos Estados Unidos enfrentam escassez crescente de terras raras utilizadas na fabricação de motores aeronáuticos e chips eletrônicos. O cenário ocorre semanas antes de um encontro previsto entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, em Pequim.

Segundo fontes do setor ouvidas pela agência Reuters, a falta concentra-se principalmente no ítrio e no escândio, elementos produzidos quase integralmente na China e considerados essenciais para aplicações tecnológicas e de defesa.

O ítrio é utilizado em revestimentos térmicos que evitam o superaquecimento de motores e turbinas aeronáuticas. Sem a aplicação do material, os motores não podem operar em altas temperaturas. Desde novembro, quando a escassez foi reportada pela primeira vez, o preço do ítrio aumentou cerca de 60% e passou a custar aproximadamente 69 vezes mais do que há um ano.

Executivos de duas empresas norte-americanas informaram que a falta do insumo levou à interrupção temporária da produção de revestimentos industriais. Uma das companhias passou a recusar clientes menores e estrangeiros para priorizar fabricantes de motores. Outra empresa da cadeia de suprimentos suspendeu a venda de produtos que utilizam óxido de ítrio após esgotar seus estoques.

Dados indicam que a China exportou 17 toneladas de produtos de ítrio para os Estados Unidos nos oito meses posteriores à imposição de controles de exportação, volume inferior às 333 toneladas registradas nos oito meses anteriores às restrições.

Um funcionário da Casa Branca afirmou que o governo norte-americano trabalha para garantir o acesso a minerais críticos.

“Isso inclui negociar com a China e monitorar o cumprimento do acordo do presidente Trump com o presidente Xi, bem como desenvolver cadeias de suprimentos alternativas, conforme necessário.”

Apesar de ainda não haver impacto direto na produção de motores a jato ou semicondutores, autoridades norte-americanas reconhecem que fabricantes já enfrentam limitações no acesso a determinadas terras raras provenientes da China.

O especialista em cadeia de suprimentos aeroespacial Kevin Michaels, diretor da consultoria AeroDynamic Advisory, afirmou que o cenário exige atenção.

“Este é um item para se observar e um exemplo concreto de como a China está demonstrando sua força no mercado de terras raras.”

Escassez também atinge semicondutores

Além do ítrio, empresas do setor de semicondutores relatam estoques reduzidos de escândio, material utilizado na produção de chips avançados e componentes presentes em smartphones e estações de tecnologia 5G.

Segundo Dylan Patel, fundador da empresa de pesquisa SemiAnalysis, a produção global do elemento é limitada a poucas dezenas de toneladas por ano. Fabricantes norte-americanos enfrentam atrasos na obtenção de novas licenças de exportação chinesas e passaram a buscar apoio do governo dos EUA.

Fontes do setor afirmam que parte das empresas recorreu a fornecedores de terceiros países, mas as autorizações continuam condicionadas à identificação dos usuários finais dos materiais.

De acordo com Patel, os Estados Unidos não possuem produção doméstica de escândio nem fontes alternativas operacionais fora da China, e os estoques disponíveis devem durar apenas alguns meses.


 

Com informações da Reuters*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus