A participação de insumos regionais utilizados pelo Polo Industrial de Manaus (PIM) caiu de 32,38% para 18,81% entre 2004 e 2024, segundo relatório elaborado por pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) com base em dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
O levantamento integra o projeto ANA (Análise de Logística e Negócios no Amazonas) e foi desenvolvido pelos professores Augusto Cesar Barreto Rocha, Dimas José Lasmar e André Ricardo Reis Costa. O estudo identifica a redução como um dos principais pontos de atenção do modelo industrial e indica a necessidade de investigações adicionais sobre suas causas e impactos econômicos.
Segundo os pesquisadores, o dado demonstra diminuição do peso relativo das compras locais no conjunto total de aquisições do PIM, mas não permite concluir, neste momento, se o cenário representa impacto positivo ou negativo para a economia regional.
“O que não se pode concluir é quanto a um juízo de valor sobre se é bom ou ruim e, sendo bom ou ruim, quem teria o mérito ou a culpa. Por isso, no momento, tão somente chamamos atenção para o dado e nos preparamos para pesquisas adicionais”, afirmou o pesquisador André Costa.
De acordo com André Costa, o movimento não significa redução absoluta das compras locais, mas crescimento em ritmo inferior ao observado nas importações e nas aquisições de outros estados. Em valores monetários, desde 2004, as compras totais cresceram 152%, enquanto importações avançaram 239%, compras interestaduais 143% e aquisições locais 46%.
“Pensando apenas em dólares, desde 2004 as compras totais aumentaram 152%, as importações aumentaram 239%, as compras de outros estados da federação aumentaram 143% e as compras locais cresceram 46%”, explicou André Costa.
O professor Dimas Lasmar destacou que o crescimento nominal das compras locais ficou abaixo da inflação acumulada no período, indicando perda de participação real dos fornecedores regionais.
“Há, portanto, uma perda importante na aquisição de insumos locais”, afirmou Dimas Lasmar.
Cadeias produtivas e setores intermediários
O relatório aponta que alguns segmentos com baixa regionalização continuam contribuindo indiretamente para a economia local ao fornecer insumos intermediários utilizados por outras cadeias produtivas instaladas no PIM.
O Polo de Duas Rodas apresenta cerca de 40% de insumos regionais e é citado como exemplo de maior integração local. Já o setor químico, com participação entre 5% e 8%, fornece componentes essenciais para os segmentos de eletroeletrônicos e bens de informática.
Segundo os pesquisadores, essa dinâmica mostra que percentuais menores não significam ausência de impacto regional, já que parte da produção atua como elo intermediário dentro da cadeia industrial.
Hipóteses para a redução
Entre as hipóteses analisadas está o aumento da tecnologia incorporada aos produtos eletroeletrônicos e de informática, responsáveis por 21,17% do faturamento do PIM. O avanço tecnológico amplia a necessidade de componentes importados, elevando o valor das compras externas.
Outra hipótese envolve o reconhecimento de créditos tributários nas operações interestaduais, que pode tornar fornecedores de outros estados mais competitivos em relação à produção local.
Os pesquisadores também analisam casos em que produtos fabricados no PIM abastecem cadeias produtivas fora do Amazonas, como ocorre com placas de circuito impresso.
Papel dos Processos Produtivos Básicos
O estudo também avalia a influência dos Processos Produtivos Básicos (PPBs) na regionalização industrial. Segundo André Costa, os PPBs buscam equilibrar exigências industriais com a manutenção da atratividade de investimentos.
O modelo aplicado ao setor de Duas Rodas é apontado como referência por adotar exigências progressivas de nacionalização e regionalização conforme o crescimento das empresas instaladas.
Para Augusto Cesar Barreto, o aprimoramento dos PPBs pode funcionar como instrumento de fortalecimento do modelo industrial da Zona Franca de Manaus, desde que utilizado para estimular cadeias produtivas e não apenas impor restrições.
Contexto econômico do PIM
A análise ocorre em meio à expansão do Polo Industrial de Manaus e ao debate nacional sobre incentivos fiscais durante a reforma tributária. Os benefícios da Zona Franca foram mantidos após negociações no Congresso Nacional.
Até dezembro de 2025, a Suframa registrava 516 empresas instaladas no PIM, responsáveis por 128,3 mil empregos diretos. Estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) estima que o modelo gere aproximadamente 500 mil empregos diretos e indiretos.
Os pesquisadores afirmam que as próximas etapas do projeto ANA devem aprofundar a análise das causas da redução da participação regional e subsidiar discussões sobre políticas industriais e estratégias empresariais voltadas à competitividade do Polo.
Com informações do Portal Amazonas Atual*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






