STF afasta prefeito e vice de Macapá após operação da PF sobre fraudes na saúde

Decisão atinge Antônio Furlan e Mário Neto, investigados na segunda fase da Operação Paroxismo, que apura irregularidades em licitações do Hospital Geral Municipal
Foto: Redes sociais / Reprodução

O Supremo Tribunal Federal (STF) afastou do cargo, nesta quarta-feira (4), o prefeito de Macapá (AP), Antônio Paulo de Oliveira Furlan (MDB), conhecido como Dr. Furlan, e o vice-prefeito Mário Rocha de Matos Neto (Podemos). A decisão ocorre no âmbito da segunda fase da Operação Paroxismo, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de fraude em licitações e desvio de recursos públicos na área da saúde.

Segundo informações divulgadas pela CNN, Furlan e Neto são suspeitos de irregularidades relacionadas à construção do Hospital Geral Municipal de Macapá. A PF cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em Macapá, Belém (PA) e Natal (RN). Na capital amapaense, endereços ligados ao prefeito foram alvos das diligências.

De acordo com a Polícia Federal, há indícios de um esquema envolvendo agentes públicos e empresários para direcionamento de licitações, desvio de recursos e lavagem de dinheiro. O foco das apurações é um contrato firmado pela Secretaria Municipal de Saúde de Macapá.

As investigações apontam que o grupo teria manipulado processos licitatórios para obter vantagens indevidas em contratos milionários. Parte dos recursos destinados à obra do hospital, orçada em cerca de R$ 70 milhões, pode ter sido desviada e ocultada por meio de movimentações financeiras consideradas irregulares.

Horas após a operação, Furlan publicou vídeo nas redes sociais afirmando ser vítima de “ataques e perseguições”.

Quem é o prefeito afastado

Antônio Furlan tem 52 anos, é médico, casado, pai de sete filhos e nasceu na Costa Rica. Iniciou a trajetória política em 2010, quando disputou vaga de deputado estadual pelo PTB. Ficou como suplente e assumiu o mandato em 2013 após a morte de um parlamentar.

Foi deputado estadual do Amapá por três mandatos consecutivos, entre 2014 e 2021. Em 2020, foi eleito prefeito de Macapá e tomou posse em 1º de janeiro de 2021. Foi reeleito em 2024 com 204.291 votos, mais de 85% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Ao longo da carreira, passou por PTB, Cidadania, Podemos e MDB. Em março de 2026, oficializou filiação ao PSD, em cerimônia realizada em Brasília com o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab.

Durante a gestão, priorizou obras na área da saúde, incluindo o Hospital Geral Municipal de Macapá, que se tornou alvo das investigações.

Vice-prefeito também é investigado

Mário Neto tem 43 anos, é empresário, casado e ingressou na política como candidato a vice-prefeito nas eleições de 2024, na chapa de Furlan. Foi eleito e assumiu o cargo em janeiro de 2025.

Segundo a Polícia Federal, ele é investigado por suposta participação no esquema de direcionamento de licitações e desvio de recursos relacionados às obras do hospital. O afastamento foi determinado para evitar interferência nas investigações.

Com a saída temporária do prefeito e do vice, o presidente da Câmara Municipal de Macapá assume interinamente a administração da capital, conforme prevê a legislação.

 

Com informações da Isto É e G1*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus