O Irã lançou mísseis contra Israel nesta terça-feira (24), em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. Os ataques ocorreram um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que houve conversas com Teerã para encerrar a guerra — informação negada por autoridades iranianas.
Segundo autoridades israelenses, não há expectativa de que o Irã aceite as condições impostas pelos Estados Unidos em eventuais negociações. O governo iraniano reiterou que não houve diálogo direto ou indireto com Washington.
Os mísseis iranianos acionaram sirenes de alerta em Tel Aviv, principal cidade israelense. Um prédio residencial foi atingido, com danos estruturais. Equipes de resgate atuaram na busca por vítimas sob os escombros.
As Forças Armadas de Israel informaram que realizaram ataques aéreos em Teerã na segunda-feira (23), atingindo centros ligados à Guarda Revolucionária e ao Ministério da Inteligência. Segundo o governo israelense, mais de 50 alvos foram atingidos, incluindo estruturas de armazenamento e lançamento de mísseis.
Explosões também foram registradas na capital iraniana, com acionamento dos sistemas de defesa aérea.
Na cidade de Tabriz, no noroeste do Irã, um ataque atingiu uma área residencial, deixando ao menos oito mortos e 28 feridos, segundo autoridades locais.
Os Emirados Árabes Unidos informaram ter interceptado cinco mísseis balísticos e 17 drones lançados a partir do Irã.
O conflito também se estende ao Líbano, onde Israel realiza operações contra o grupo Hezbollah, aliado do Irã. O ministro da Defesa israelense afirmou que há planos para ocupar o sul do país até o rio Litani.
Após declarações de Donald Trump sobre negociações, o Irã reagiu publicamente. A embaixada iraniana na África do Sul publicou conteúdo em rede social ironizando a proposta de controle conjunto do Estreito de Ormuz.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, classificou as declarações como falsas. Já o Ministério das Relações Exteriores do Irã mencionou iniciativas para reduzir tensões.
Fontes internacionais indicam que países como Egito, Paquistão e estados do Golfo atuam como intermediários, transmitindo mensagens entre os governos.
Os Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, após impasse nas negociações sobre o programa nuclear iraniano. Desde então, o Irã respondeu com ações contra bases americanas e infraestruturas energéticas.
O fechamento do Estreito de Ormuz impactou o fluxo global de petróleo e gás, responsável por cerca de 20% do transporte mundial desses recursos.
O presidente norte-americano afirmou que adiou por cinco dias um plano de ataque a instalações energéticas iranianas, condicionando a decisão à reabertura da rota marítima.
O governo iraniano anunciou a nomeação de Mohammad Baqer Zolqadr como secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, substituindo Ali Larijani, morto em ataque recente.
A mudança ocorre em meio ao aumento da influência da Guarda Revolucionária Islâmica nas decisões estratégicas do país.
Após declarações de Donald Trump, os mercados reagiram com alta nas bolsas e queda no preço do petróleo. No entanto, a retomada dos ataques elevou novamente a volatilidade.
Os contratos futuros do petróleo Brent voltaram a ultrapassar US$ 100 por barril, enquanto o petróleo dos Estados Unidos subiu para US$ 91,93.
Analistas apontam que o cenário segue instável, com risco de impacto prolongado no fornecimento global de energia.
O governo dos Estados Unidos afirmou que representantes como Steve Witkoff e Jared Kushner mantiveram contatos com autoridades iranianas antes da escalada do conflito.
Há expectativa de encontros indiretos em Islamabad, com participação de representantes norte-americanos e iranianos, segundo autoridades paquistanesas.
Com informações da Reuters *
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






