50 anos após golpe militar, futebol argentino levanta bandeira por memória e justiça

Clubes e ídolos se unem em homenagens aos desaparecidos do regime militar

O futebol argentino se uniu às manifestações que marcam os 50 anos do golpe militar de 1976, lembrado nesta terça-feira, 24 de março, com uma série de homenagens às vítimas da ditadura.

Clubes e personalidades do esporte utilizaram as redes sociais para reforçar a importância da memória histórica e da justiça, com mensagens acompanhadas da hashtag #NuncaMás.

Entre os posicionamentos, o Boca Juniors destacou seu compromisso institucional com a lembrança das vítimas do regime.

“O Boca Juniors ratifica seu compromisso por manter viva a memória dos 30 mil desaparecidos que a última ditadura militar deixou na Argentina. A 50 anos do golpe cívico-militar, dizemos #NuncaMás”, publicou o clube.

Outro destaque foi o Racing Club, que tradicionalmente mantém ações de memória voltadas a sócios e torcedores atingidos pela repressão. Em uma mensagem emocionada, o clube relembrou ausências deixadas nas arquibancadas ao longo das décadas.

“Esse buraco na arquibancada. E esse outro. E aquele lá. A dor pelas ausências porque faltam Roberto, Lucía, Alberto, Silvia, Jacobo e tantos sócios e torcedores que são parte de nossa história, de nosso Racing. As feridas que meio século não curam porque há corpos dos quais nada se sabe ainda e há netos e netas que não recuperaram sua identidade”, manifestou a Academia.

A mobilização também envolveu ídolos históricos do país. A conta oficial de Diego Armando Maradona, atualmente administrada por familiares, publicou uma imagem do ex-jogador ao lado de integrantes das Abuelas de Plaza de Mayo, entidade que busca há décadas crianças desaparecidas durante o regime.

“A 50 anos do último golpe militar, Memória, Verdade e Justiça”, dizia a publicação.

 

O golpe deu início a um período de ditadura que se estendeu até 1983, marcado por repressão, censura e milhares de desaparecimentos. Mesmo diante desse contexto, o país sediou a Copa do Mundo FIFA de 1978 e conquistou seu primeiro título mundial, em uma campanha liderada por Daniel Passarella e Mario Kempes, sob comando do técnico César Luis Menotti.

O torneio, no entanto, ficou marcado pelo contexto político da época. A conquista foi utilizada pelo regime militar como ferramenta de projeção internacional, em meio às denúncias de violações de direitos humanos que ganhavam repercussão fora do país.

 

 

Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus

Foto: Divulgação/Racing