Uma expedição científica identificou 50 sítios arqueológicos ao longo do Alto Rio Japurá, na região de fronteira entre Brasil e Colômbia, no oeste do Amazonas. O levantamento foi realizado entre 9 de fevereiro e 2 de março e percorreu cerca de 200 quilômetros de áreas fluviais e margens de difícil acesso.
O mapeamento registrou vestígios arqueológicos em superfície, com presença de cerâmicas, gravuras rupestres, materiais líticos e evidências associadas a diferentes fases de ocupação humana. Entre os achados também aparecem objetos ligados ao período da borracha, indicando a sobreposição de tempos históricos no mesmo território.
A pesquisa integra uma ação colaborativa articulada por instituições ambientais e científicas, com objetivo de reunir dados para subsidiar decisões sobre gestão territorial e conservação na região do Alto Japurá. A área analisada faz parte de um conjunto de 1,7 milhão de hectares em estudo, que reúne informações ambientais, arqueológicas e socioculturais.
O trabalho de campo contou com a participação do Grupo de Pesquisa em Arqueologia e Gestão do Patrimônio Cultural da Amazônia, vinculado ao Instituto Mamirauá, além da parceria com instituições internacionais e nacionais ligadas à pesquisa e conservação. O material coletado será sistematizado em relatório técnico a ser encaminhado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Durante a expedição, comunidades locais participaram do mapeamento, auxiliando no acesso a áreas remotas e na identificação de pontos com vestígios históricos. Relatos orais também foram incorporados ao levantamento, contribuindo para a contextualização dos achados e para a compreensão da ocupação da região ao longo do tempo.
Segundo pesquisadores envolvidos, os registros encontrados indicam uma ocupação contínua do território amazônico, com camadas históricas que vão de períodos pré-coloniais até fases mais recentes. O conjunto de materiais inclui desde fragmentos cerâmicos e registros rupestres até objetos associados a antigas estruturas de moradia e atividades produtivas.
O Instituto Mamirauá atua na área de arqueologia desde 2001 e mantém projetos voltados à pesquisa, gestão do patrimônio cultural e estudos interdisciplinares na Amazônia. A instituição desenvolve atualmente dezenas de iniciativas científicas em diferentes áreas do conhecimento, com atuação em campo e em laboratório na região amazônica.
Com Informações da Assessoria
Foto: Divulgação
Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus






