Cuba anuncia libertação de 2.010 presos em meio à pressão dos EUA

Indulto considera conduta, saúde e tipo de crime e ocorre durante crise econômica e energética

O governo de Cuba anunciou a libertação de 2.010 prisioneiros, em uma das maiores medidas do tipo desde 2011. A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (2), em meio ao aumento da pressão política e econômica dos Estados Unidos sobre a ilha.

Segundo comunicado publicado no jornal estatal Granma, o indulto foi concedido com base na conduta dos detentos, no estado de saúde e na natureza dos crimes cometidos. A lista inclui jovens, mulheres, idosos com mais de 60 anos e estrangeiros.

O governo informou que não serão beneficiados presos condenados por crimes como assassinato, homicídio, agressão sexual ou delitos classificados como “contra a autoridade”.

Medida ocorre durante crise interna

A decisão ocorre em um cenário de agravamento da crise econômica e energética em Cuba. O país enfrenta escassez de combustível, dificuldades no fornecimento de energia elétrica e impactos diretos no funcionamento de serviços essenciais.

Nos últimos meses, a ilha registrou apagões prolongados. Em março, dois apagões nacionais foram registrados em intervalo de poucos dias, afetando escolas, transporte e atividades econômicas.

A escassez de combustível também tem impactado o setor aéreo, com restrições operacionais e cancelamento de voos de longa distância.

Pressão dos Estados Unidos influencia cenário

O anúncio da libertação ocorre enquanto o governo dos Estados Unidos amplia medidas de pressão sobre Cuba. A gestão do presidente Donald Trump tem adotado ações para restringir o fornecimento de petróleo à ilha, com o objetivo de forçar mudanças no modelo econômico e político do país.

Entre as medidas, estão ações que interromperam fluxos energéticos vindos de aliados regionais, como a Venezuela, e ameaças comerciais a parceiros estratégicos.

O governo americano defende a abertura da economia cubana e mudanças estruturais no regime político. Integrantes da administração, como o secretário de Estado Marco Rubio, têm defendido uma reformulação da liderança do país.

Histórico de acordos e libertações

Cuba já realizou libertações em massa em outros momentos, geralmente associadas a negociações internacionais. No início de 2025, o país libertou 553 detentos após um acordo com os Estados Unidos e o Vaticano, que previa flexibilização de sanções econômicas.

Com a mudança de governo em Washington, o acordo foi revisto, o que levou à suspensão temporária das libertações. O processo foi retomado posteriormente e concluído em março.

O comunicado atual não menciona diretamente negociações com outros países e atribui a medida às celebrações religiosas da Semana Santa.

Situação dos direitos humanos

Organizações internacionais apontam que Cuba mantém detenções de opositores políticos, ativistas, jornalistas e manifestantes. Relatórios indicam monitoramento constante e repressão a dissidentes.

O governo cubano não detalhou se presos por motivos políticos estão incluídos entre os beneficiados pelo indulto anunciado.

Embargo e impactos estruturais

Desde 1959, após a Revolução Cubana, o país está sob embargo econômico dos Estados Unidos, que restringe relações comerciais e financeiras. As sanções dificultam investimentos estrangeiros e acesso a mercados internacionais.

O impacto dessas restrições, somado à redução recente no fornecimento de petróleo, tem ampliado a crise interna, com efeitos diretos na economia, na geração de energia e no abastecimento.

Liberação ocorre em cenário de incerteza

A libertação de mais de 2 mil presos ocorre em um contexto de instabilidade econômica, pressão internacional e crise energética. O governo cubano não detalhou o cronograma das liberações nem informou como será feito o acompanhamento dos beneficiados após a saída do sistema prisional.


Com informações da CNN*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus