A guerra no Irã provocou mudanças nas operações da aviação global, com impacto direto nas rotas, custos e participação de mercado entre companhias aéreas. O fechamento de espaços aéreos no Oriente Médio interrompeu voos, reduziu capacidade e afetou o modelo de conexão internacional operado por empresas da região.
Antes do conflito, companhias como Emirates, Qatar Airways e Etihad Airways ampliavam participação no transporte intercontinental ao operar hubs em pontos estratégicos entre Europa, África e Ásia.
Com a guerra, o fechamento dos espaços aéreos do Irã e de áreas próximas levou à suspensão de rotas e redução da malha aérea dessas empresas. Parte da demanda passou a ser absorvida por companhias ocidentais, que iniciaram ajustes operacionais para ocupar o espaço disponível.
Empresas como Lufthansa, British Airways e Air France-KLM redirecionaram aeronaves para rotas com destino à Ásia, incluindo Índia, Tailândia e Singapura. O movimento busca captar passageiros afetados pelas mudanças no tráfego via Oriente Médio.
Dados analisados pela Bloomberg, com base em informações da plataforma Flightradar24, indicam que o aumento de participação dessas empresas ainda é limitado e depende da duração do conflito.
Nos Estados Unidos, companhias como United Airlines e Delta Air Lines ampliaram a oferta de voos de longa distância com aeronaves de grande porte. A expansão foi de 11% e 12%, respectivamente, com inclusão de novas rotas e reforço em destinos já existentes.
O aumento ocorre em um cenário de alta no preço do combustível de aviação, impactado pela instabilidade nos mercados de energia. Companhias avaliam repasse de custos às tarifas ou absorção parcial para manter a demanda. Empresas americanas apresentam maior exposição à variação de preços por não utilizarem estratégias de proteção (hedge).
O conflito também alterou o tráfego entre Europa e Ásia. Com o fechamento dos espaços aéreos iraniano e iraquiano, voos passaram a utilizar rotas alternativas por regiões como Geórgia, Azerbaijão e Ásia Central. O cenário se soma às restrições já existentes após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, que limitou o uso do espaço aéreo russo por companhias ocidentais.
Companhias asiáticas também ampliaram operações. A Singapore Airlines adicionou voos para Londres e Melbourne. A Cathay Pacific Airways reforçou rotas para Paris, Zurique e Londres. Já a Air India e a Qantas Airways aumentaram capacidade em rotas internacionais.
A Turkish Airlines registrou ganho de participação de mercado no período, enquanto a Qatar Airways apresentou maior perda entre as empresas analisadas.
Apesar da reconfiguração do mercado, especialistas apontam incerteza sobre a duração dos efeitos. Analistas indicam que companhias do Oriente Médio devem retomar operações e adotar estratégias comerciais para recuperar passageiros, incluindo redução de tarifas.
A elevação dos custos e a necessidade de reorganização da malha aérea também impactam resultados financeiros. As ações da Lufthansa recuaram 17% desde o início da guerra. O grupo IAG, controlador da British Airways, registrou queda de 13%, enquanto a Air France-KLM acumulou recuo de 27%. Instituições como Morgan Stanley e UBS revisaram projeções para o setor, citando o aumento do combustível.
Além disso, limitações operacionais dificultam a substituição de rotas. Aeronaves de corredor único não atendem voos mais longos, enquanto aviões de grande porte têm prazos de entrega elevados. A abertura de novas rotas também depende de disponibilidade de slots, ajustes logísticos e contratação de equipes.
A Lufthansa informou que avalia planos de contingência diante da possibilidade de escassez de combustível, incluindo redução de operações.
O modelo de hubs no Oriente Médio, que sustentou o crescimento de empresas como a Emirates nas últimas décadas, segue como fator relevante no mercado. Em 2025, a companhia transportou 55,6 milhões de passageiros, consolidando Dubai como um dos principais centros de conexão internacional.
A continuidade da guerra deve definir se as mudanças atuais serão temporárias ou se resultarão em uma redistribuição mais duradoura do tráfego aéreo global.
Com informações da Assessoria da Folha de São Paulo*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






