O Estado-Maior das Forças Armadas do Irã anunciou, nesta segunda-feira (20), que pretende executar medidas de retaliação contra os Estados Unidos em resposta à apreensão do cargueiro M/V Touska. A interceptação da embarcação ocorreu no Golfo de Omã, sob a justificativa de violação do bloqueio naval imposto por Washington aos portos iranianos no Estreito de Ormuz.
O incidente ocorre a menos de 48 horas do encerramento do cessar-fogo de duas semanas, iniciado em 8 de abril. Em comunicado oficial via Telegram, o porta-voz militar iraniano classificou a ação americana como “pirataria armada” e acusou os EUA de romperem os termos da trégua vigente. De acordo com a agência de notícias Tasnim, drones iranianos foram lançados na direção de ativos navais americanos durante o episódio.
Ação Naval e Bloqueio Econômico
A operação foi confirmada pelo presidente Donald Trump, que afirmou que o M/V Touska tentava contornar as sanções do Departamento do Tesouro. Segundo o governo americano, um contratorpedeiro interceptou o cargueiro após a tripulação ignorar ordens de parada. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) divulgou registros visuais da abordagem militar.
O bloqueio no Estreito de Ormuz afeta uma região por onde circula aproximadamente 20% do suprimento mundial de petróleo. A manutenção dessa barreira naval é apontada pela imprensa iraniana como o principal obstáculo para a continuidade do diálogo entre as nações.
Impasse Diplomático em Islamabad
Paralelamente à escalada militar, o Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que ainda não há decisão sobre o envio de uma comitiva para a nova rodada de negociações prevista para ocorrer no Paquistão. O porta-voz da chancelaria, Esmaeil Baqaei, afirmou que o país não possui planos concretos para o encontro neste momento.
Em contrapartida, Donald Trump informou que a delegação americana — composta pelo vice-presidente JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner — já está em deslocamento para Islamabad. O governo americano mantém a ameaça de atingir infraestruturas civis iranianas caso um acordo nuclear não seja estabelecido.
Preparativos no Paquistão
Apesar da indefinição de Teerã, o governo paquistanês mantém o protocolo de segurança para as conversas. O Serena Hotel, em Islamabad, foi isolado e milhares de agentes de segurança foram mobilizados. Medidas como o fechamento de escritórios públicos e a transição de universidades para o regime online foram implementadas na capital.
Fontes consultadas pela CNN em Teerã indicam a possibilidade de uma delegação iraniana chegar ao local na terça-feira para uma declaração simbólica de extensão do cessar-fogo na quarta-feira. Os principais pontos de divergência permanecem centralizados nas exigências de Washington sobre a limitação do enriquecimento de urânio e a suspensão das atividades nucleares de longo prazo do Irã.
Com informações do O Globo*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






