FIA oficializa mudanças urgentes no regulamento da Fórmula 1 para 2026

Decisões foram tomadas após críticas de pilotos e o forte acidente de Oliver Bearman no GP do Japão

A necessidade de alterações no regulamento surgiu após as primeiras corridas da F1 2026 gerarem reclamações de parte do público e, principalmente, dos pilotos. Vários competidores criticaram alguns dos efeitos colaterais causados pela introdução das novas regras técnicas e de motores. Com o novo regulamento da Fórmula 1 para este ano, a parte elétrica passou a ganhar maior protagonismo e corresponde a quase 50% da potência do carro – a outra parte é de responsabilidade do motor à combustão.

No entanto, as alterações fizeram com que os carros passassem a ter dificuldade para recuperar energia e carregar a bateria. Como resultado, os pilotos têm se preocupado muito mais em gerir o uso da energia, o que inclui a utilização de técnicas de recarga da bateria, como o superclipping.

Embora o número de ultrapassagens tenha crescido em relação ao ano passado, alguns pilotos classificaram o novo regulamento como “artificial”. Um deles foi o tetracampeão Max Verstappen, que considera até mesmo deixar a categoria ao fim de 2026. Além disso, o desempenho dos carros nas classificações também foi alvo de críticas, visto que os pilotos estão precisando gerir a bateria até mesmo em voltas lançadas. No entanto, as discussões – que já estavam previstas para abril – ganharam ainda mais peso depois do GP do Japão, devido ao forte acidente sofrido por Oliver Bearman, da Haas.

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) divulgou nesta segunda-feira (20) uma série de mudanças no regulamento da Fórmula 1 em 2026. As alterações abordam quatro pontos principais: as classificações, a segurança e consistência durante as corridas, as largadas e disputas na chuva. Com exceção das alterações nas largadas, que ainda serão testadas, as regras passam a valer já no GP de Miami, no dia 3 de maio.

As mudanças nas regras da Fórmula 1 acontecem após discussões virtuais que envolveram não só a categoria e a FIA, mas também chefes das equipes, representantes das fornecedoras de motores e pilotos. Foram realizadas três reuniões entre as partes neste mês: as primeiras aconteceram nos dias 15 e 16, e a última ocorreu já nesta segunda-feira. Após todos os envolvidos chegarem a um acordo em relação às mudanças, as decisões foram levadas à votação do Conselho Mundial de Automobilismo da FIA, feita de forma eletrônica.

O que muda na prática?

Em relação à classificação, a quantidade máxima de recarga passa de 8 para 7 megajoules (MJ), com o objetivo de reduzir o gerenciamento de energia em voltas lançadas e permitir que os pilotos pisem fundo no acelerador. O limite já tinha diminuído no Japão – o máximo era de 9MJ anteriormente. Além disso, a potência máxima no superclipping – isto é, quando o carro passa a usar a parte elétrica do carro para carregar a bateria (mesmo que o piloto esteja acelerando) sobe de 250 para 350kW. A expectativa é de que o tempo de recarga diminua, e a mudança também vale para as corridas. Outra mudança tem a ver com limites de uso de energia alternativos durante as provas.

Junto com o aumento da potência do superclipping, que já era um pedido dos pilotos, a potência que é liberada com o uso do botão de boost passa a ter um teto de 150 kW. O objetivo é evitar diferenças de velocidade repentinamente grandes, o que ajudou a causar o forte acidente de Oliver Bearman durante o GP do Japão, em disputa com Franco Colapinto. Outra mudança limita o uso do MGU-K (sistema no motor que recupera energia cinética) em zonas que não sejam os principais pontos de aceleração nas pistas. Além de evitar as diferenças de velocidade, o intuito também é seguir permitindo as possibilidades de ultrapassagem, que têm ocorrido com maior frequência neste ano.

A FIA anunciou também que foi desenvolvido um novo sistema capaz de identificar carros com aceleração “anormalmente baixa”, logo depois de o piloto soltar a embreagem. Caso esse sistema detecte algum problema do tipo, o MGU-K vai ser acionado automaticamente para garantir um nível mínimo de aceleração. O objetivo é diminuir os riscos nas largadas, garantindo que o piloto ajudado também não receba nenhuma vantagem esportiva. Um novo mecanismo será introduzido para ativar as luzes laterais e traseiras, como forma de alertar aos demais competidores caso o problema ocorra.

Em relação às corridas com chuva, as mudanças estão na redução do uso do sistema de recuperação de energia e na simplificação das luzes traseiras, além do aumento de temperatura dos cobertores dos pneus intermediários para aumentar a aderência. O GP de Miami vai marcar o retorno da categoria e será a quarta de 22 etapas do Mundial, após a pausa forçada pelos cancelamentos dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita.

 

 

 

 

Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus

Foto: Alastair Staley/LAT Images