A proposta apresentada pelo Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio enfrenta resistência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O governo iraniano condiciona qualquer acordo a garantias de que não haverá novos ataques e mantém a posição de não negociar diretamente com Washington.
Segundo fontes ouvidas por veículos internacionais, Trump demonstrou insatisfação com os termos apresentados por Teerã durante reunião com conselheiros de segurança e política externa. Para o governo americano, a proposta é considerada insuficiente por não incluir o futuro do programa nuclear iraniano, ponto tratado como prioridade pelos Estados Unidos e por Israel.
A proposta iraniana foi entregue no sábado por uma delegação liderada pelo chanceler Abbas Araghchi a mediadores no Paquistão. O plano prevê negociações em duas fases. Na primeira, haveria a reabertura total do Estreito de Ormuz e o fim do conflito. O tema nuclear seria discutido posteriormente.
O Irã afirma que precisa de garantias antes de avançar. O embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid, declaroue m reunião do Conselho de Segurança dos Estados Unidos.
“A estabilidade e a segurança duradouras no Golfo Pérsico só podem ser alcançadas com o fim permanente da agressão contra o Irã e garantias de não repetição”.
A posição foi reforçada após encontro do presidente russo Vladimir Putin com representantes iranianos em São Petersburgo. A Rússia indicou apoio e afirmou que atuará para viabilizar um acordo.
Enquanto isso, países da região demonstram preocupação com a continuidade das tensões. O Catar alertou para o risco de um “conflito congelado”. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Majed al-Ansari, afirmou:
“Não queremos ver um retorno das hostilidades ou um conflito que seja retomado por razões políticas”.
Impacto no Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz segue como ponto central da crise. A região, responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás, tem registrado bloqueios militares simultâneos de Irã e Estados Unidos.
A tensão elevou o preço do petróleo, que ultrapassou US$ 110 por barril. Antes do conflito, entre 125 e 140 navios cruzavam diariamente a rota. Nos últimos dias, esse número caiu para sete embarcações.
Nesta terça-feira, um navio dos Emirados Árabes Unidos conseguiu atravessar o estreito transportando gás natural liquefeito, sinalizando possível redução de restrições. Ainda assim, petroleiros iranianos foram impedidos de seguir viagem após ações americanas.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou as apreensões como “legalização da pirataria em alto-mar”.
Negociações seguem sem definição
Apesar do impasse, mediadores internacionais mantêm diálogo com os dois lados. Segundo fontes, há pressão para que concessões sejam feitas nos próximos dias para evitar retomada do conflito.
A possibilidade de novas negociações diretas foi interrompida após o Irã recusar encontros com representantes americanos. Trump chegou a cancelar o envio de emissários ao Paquistão.
Com informações do O Globo*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






