Justiça de SP decreta prisão temporária de Melqui Galvão em investigação sobre crimes sexuais e outros contra menores

Áudio atribuído ao investigado circula nas redes sociais e repercute o caso

A Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária, por 30 dias, de Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, popularmente conhecido apenas como Melqui Galvão, no âmbito de uma investigação que apura supostos crimes contra crianças e adolescentes.

Melqui Galvão é considerado uma das figuras mais influentes do jiu-jitsu amazonense na atualidade, com reconhecimento internacional principalmente por sua atuação como treinador e formador de atletas de alto rendimento.

De acordo com documento oficial do Tribunal de Justiça de São Paulo, a decisão foi tomada no contexto de um inquérito conduzido pela 2ª Vara de Crimes praticados contra Crianças e Adolescentes. O mandado de prisão tem validade temporária e integra as diligências em andamento do processo.

Segundo as informações constantes no documento, o caso envolve a investigação de possíveis infrações previstas no Código Penal Brasileiro, incluindo os artigos 147 (Ameaça), 154-A (Invasão de dispositivo informático), 215-A (Importunação sexual) e 217-A (Estupro de vulnerável).

Foto: Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

As apurações seguem sob sigilo e ainda não há detalhes adicionais divulgados oficialmente sobre o andamento do inquérito. Até o momento, também há informações de que o investigado teria se apresentado às autoridades e estaria detido em Manaus.

No meio da repercussão do caso, um áudio que circula nas redes sociais e é atribuído a Melqui Galvão passou a ganhar destaque. No conteúdo, ainda sem autenticidade confirmada por autoridades, o interlocutor faz uma série de declarações em tom de arrependimento e nega ter planejado as ações citadas.

Na gravação, o trecho divulgado diz:

“Eu só queria deixar claro algumas coisas, e dizer primeiro que eu totalmente arrependido. Totalmente angustiado, nem dormi ontem por conta do que eu fiz. Eu acho que nada justifica, nenhuma coisa pode justificar o meu comportamento. Eu como líder, como um cara que já tem uma certa idade, não poderia repetir esse comportamento.

Sua filha. Mas eu queria também falar que de verdade eu nunca planejei isso. Desde o primeiro dia que vocês entraram aqui até o último dia de vocês sairam. Eu nunca planejei isso, eu nunca tive em meus pensamentos. A [vítima] não tem culpa nenhuma, ela é bem jovem. Mas alguns tratamentos que ela teve com relação à minha pessoa são tratamentos diferentes de uma aluna e professor. Ela me tratava de uma maneira que nenhuma aluna minha me tratava. Isso me levou a crer que existia alguma coisa além do sentimento de uma aluna e professor.”

Confira:

A equipe da Jovem Pan News Manaus tentou contato com o envolvido por meio das redes sociais, mas não obteve resposta até o momento da publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações e esclarecimentos.

A Jovem Pan News Manaus também solicitou nota à Polícia Civil do Amazonas pedindo a confirmação da prisão de Melqui Galvão. Em resposta, a instituição informou que ainda estão realizando as apurações.

O caso segue em fase de investigação, sem qualquer sentença condenatória. Como em todos os processos judiciais em andamento, são assegurados os direitos constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, até a conclusão das apurações pelas autoridades competentes.

Quem é Melqui Galvão?
Faixa-preta, ele ganhou projeção menos pelos resultados como competidor e mais pelo trabalho à frente da equipe que fundou em Manaus, responsável por revelar nomes de destaque na modalidade. Entre eles estão Mica Galvão, Diogo Reis, o “Baby Shark”, e Fabrício Andrey, o “Hokage”, que alcançaram resultados expressivos em competições internacionais. Além da atuação no esporte, Melqui também exerce a função de investigador da Polícia Civil do Amazonas, cargo obtido por meio de concurso público e mantido paralelamente às atividades como técnico.
Deputada Alessandra Campelo (PSD/AM) comenta o caso
Em entrevista exclusiva à Jovem Pan News Manaus, no programa De Olho na Cidade, apresentado pelos jornalistas Jackson Nascimento e Tatiana Sobreira, a deputada estadual Alessandra Campelo (PSD/AM), Procuradora Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), comentou a prisão do esportista.

Alessandra falou que o caso ainda reúne informações iniciais, mas já há o conhecimento de pelo menos outras cinco vítimas. Ela afirmou ainda ter acionado o Delegado-Geral da Polícia Civil do Estado do Amazonas (PC-AM) é Bruno Fraga. e colocou a Procuradoria da Mulher à disposição da Instituição para acompanhar os desdobramentos e prestar apoio às vítimas.

De acordo com Campelo, as denúncias apontam que Melqui, que também é policial civil e professor conhecido no meio esportivo, teria se aproveitado da relação de confiança com crianças e adolescentes, e que há relatos de ocorrências em Manaus, São Paulo e até durante viagens internacionais com delegação esportiva.

É uma decepção, porque se trata de um investigador da Polícia Civil e professor conhecido nacional e internacionalmente.
Já apoiei projetos sociais ligados ao nome dele e hoje há o temor de que crianças possam ter sido vítimas.
Há relatos de crimes em Manaus, São Paulo e até fora do país, o que amplia a gravidade do caso.”

Alessandra Campelo confirmou que o investigado já está preso e detalhou as providências que serão adotadas.

“Já colocamos a Procuradoria da Mulher à disposição das vítimas, e temos conhecimento de pelo menos cinco casos.
Ele está preso e não vamos aceitar qualquer privilégio por ser policial; a lei deve ser cumprida.
As denúncias indicam estupro de vulnerável, com uso da relação de confiança para cometer os crimes.”

A deputada também destacou que o caso envolve denúncias de estupro de vulnerável, crime previsto na legislação brasileira quando há vítimas menores de idade. Ela afirmou que não haverá tratamento diferenciado pelo fato de o investigado ser integrante das forças de segurança.

Procudoria da Mulher 

A Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) é um órgão voltado ao acolhimento, orientação e encaminhamento de mulheres e meninas vítimas de violência, incluindo casos de exploração sexual, oferecendo atendimento especializado e articulando ações com órgãos de proteção para garantir assistência e responsabilização dos agressores.