As principais entidades do jiu-jítsu no Brasil e no mundo anunciaram o banimento definitivo do treinador Melqui Galvão de qualquer atividade oficial ligada às organizações. A decisão foi divulgada na noite da última terça-feira (28) pela Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) e pela International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF), após a prisão do profissional, investigado por crimes sexuais contra adolescentes.
Segundo as entidades, o treinador não poderá mais participar de competições ou eventos promovidos pelas federações. A medida ocorre em meio à repercussão de denúncias graves que vieram à tona nos últimos dias e que colocaram o caso sob atenção nacional.
Veja o pronunciamento oficial completo:
“A Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) e a International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF) manifestam profunda indignação diante dos atos atribuídos ao professor de Jiu-Jitsu Melqui Galvão, em atual estado de prisão preventiva, tornados públicos pela imprensa. Tais ações são inaceitáveis e violam os princípios éticos mais basilares do esporte.
A CBJJ e a IBJJF informam que Melqui Galvão será banido definitivamente de seus quadros e não poderá mais participar de eventos e atividades promovidas pela entidade. A CBJJ e a IBJJF repudiam comportamentos que violem a integridade e a segurança de praticantes do esporte, especialmente quando as vítimas são crianças e adolescentes.
Enaltecemos os atletas que tiveram a coragem de expor as situações de violência sofridas, permitindo que outras vítimas se sintam encorajadas a denunciar seus algozes. A CBJJ e a IBJJF esclarecem que todos os casos de abuso serão tratados com rigor e reafirmam o compromisso de garantir ambientes seguros, éticos e respeitosos em todas suas atividades.”
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Entenda o caso
A Polícia Civil de São Paulo investiga denúncias de estupro de vulnerável envolvendo o treinador. A Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária do suspeito, que também atua como policial civil no Amazonas.
De acordo com as investigações, o crime teria ocorrido em fevereiro deste ano, durante uma competição realizada em Roma. A vítima, uma adolescente de 17 anos, treinava com o treinador desde dezembro de 2024.
Além do depoimento da jovem, mensagens enviadas pelo investigado à família após o ocorrido reforçaram os indícios. Segundo a apuração, ele teria tentado evitar que o caso fosse denunciado, chegando a admitir a violência e oferecer vantagens em troca de silêncio.
A polícia também trabalha com a hipótese de que o caso não seja isolado. Há relatos semelhantes de outras possíveis vítimas, incluindo denúncias que remontam a anos anteriores, algumas delas envolvendo menores de idade. Testemunhas ouvidas indicam um possível padrão de comportamento.
O treinador, que possui academias em São Paulo e Jundiaí, foi preso em Manaus após diligências autorizadas pela Justiça paulista.
Repercussão
O caso também teve impacto direto no cenário esportivo e familiar. O multicampeão de jiu-jítsu Mica Galvão, filho do investigado, se manifestou publicamente sobre a situação.
“É difícil encontrar palavras para um momento como esse. Meu pai, Melqui Galvão, foi quem me colocou no tatame pela primeira vez ainda criança. Foi ele quem me ensinou a lutar, a competir, a respeitar o adversário e a ter caráter”, escreveu.
Apesar da relação familiar, o atleta destacou a importância das investigações.
“Ao mesmo tempo, me sinto na obrigação de ser honesto: que os fatos sejam investigados com seriedade e que a Justiça cumpra seu papel”, disse.
Ele também reforçou sua posição contra qualquer tipo de violência: “Como pessoa, repudio qualquer forma de assédio ou violência contra mulheres e crianças — esse é um valor que carrego e que não abre exceção”.
Por fim, afirmou que ainda processa o momento, mas seguirá com seus compromissos profissionais.
“Estou processando isso como filho, como atleta e como ser humano. O que sei é que tenho responsabilidades com as pessoas que acreditam em mim, com a equipe que representa tanto para tantos atletas. Sigo em frente, com o mesmo respeito e dedicação de sempre”.
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Investigação segue
As autoridades seguem apurando o caso, incluindo a análise de uma gravação apresentada por denunciantes, na qual o investigado teria admitido indiretamente o ocorrido e tentado impedir o avanço das denúncias com promessa de compensação financeira.
Até a última atualização desta reportagem, a equipe da Jovem Pan News Manaus não conseguiu localizar a defesa de Melqui Galvão. Também foram feitas tentativas de contato com o investigado por meio de suas redes sociais, porém não houve retorno até o momento da publicação. O espaço segue aberto para manifestações e eventuais esclarecimentos por parte dos envolvidos.
Da Redação da Jovem Pan News Manaus
Foto: Reprodução






