“Você pode atirar em mim”: Áudio expõe fala chocante de Melqui Galvão ao pedir que família da vítima não o denunciasse

Áudio foi considerado peça importante nas investigações

Um áudio atribuído ao investigado Melqui Galvão passou a ser considerado peça relevante dentro do inquérito que resultou em sua prisão pela Polícia Civil do Amazonas. O material, com duração de 16 minutos e 42 segundos, teria sido enviado à família de uma das vítimas e contém desde pedidos de desculpas até declarações consideradas graves pelos investigadores.

De acordo com a apuração policial, o conteúdo do áudio ajudou a sustentar os elementos de materialidade e autoria que embasaram a prisão temporária do suspeito, detido em Manaus nesta terça-feira (28). O caso é investigado pela Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher, que apura denúncias envolvendo pelo menos três vítimas.

No trecho inicial, entre 33 segundos e 1 minuto e 30 segundos, o investigado afirma que não há justificativa para sua conduta e menciona interpretações pessoais sobre a relação com a vítima.

“Nenhuma coisa pode justificar o meu comportamento. Eu, como líder, como um cara que já tem uma certa idade, não poderia ter tido esse comportamento com a sua filha. Mas eu queria também falar que, de verdade, eu nunca planejei isso. Desde o primeiro dia que vocês entraram aqui, até o último dia que vocês saíram, eu nunca planejei isso, nunca quis esses meus pensamentos, né? A menina não tem culpa nenhuma, ela é bem jovem, mas alguns tratamentos que ela teve com relação a minha pessoa são tratamentos diferentes de uma aluna e um professor. Me tratava de uma maneira que nenhuma aluna minha me tratava. Isso me levou a crer que existia alguma coisa ali, além de um sentimento de aluno e professor”.

Em outro momento do áudio, entre 2 minutos e 40 segundos e 4 minutos, ele tenta negociar uma forma de evitar uma denúncia formal, oferecendo alternativas que incluiriam custeio de despesas e apoio financeiro.

“Tô disposto a fazer o que vocês quiserem, o que vocês quiserem mesmo, para que eu não prejudique mais pessoas ainda, tá? A sugestão que eu tenho, a primeira, é que a gente tenha uma conversa onde eu possa pedir desculpas a vocês todos, pessoalmente, e que ela possa continuar aqui [academia], pelo menos até o Mundial. Eu prometo que, se ela ficar aqui, pelo menos até o Mundial, onde ela vai receber a faixa preta dela, eu não vou sequer, eu não toco nela, eu não falo com ela se ela não falar comigo, eu não vou destratar dela, mas também eu vou manter total distância dela. Se tiver uma viagem, eu não vou no mesmo voo que ela, eu não fico na mesma casa que ela e, se for necessário, se vocês quiserem, eu pago também as despesas, sua [pai] ou da mãe dela, para acompanhar ela onde quer que seja, tá? Inclusive também pago as despesas da [nome]. Eu só queria, realmente, ter uma chance de reparar todo esse mal entendido”.

Já em um terceiro trecho, entre 8 minutos e 55 segundos e 10 minutos, o investigado menciona diretamente que a família da vítima poderia decidir seu destino e faz referências a situações extremas.

“Tentei ali buscar socorro para tentar bloquear as coisas, mas acabou que não não consegui. Então, eu não sou um cara ruim, mas eu sei o que eu fiz, eu sei que é errado. Se preciso, se não for o suficiente para vocês que eu me afaste, vocês quiserem mais que isso eu pensei, eu não consigo me matar, eu não posso matar, se eu me matar, vai acontecer a mesma coisa, as pessoas vão saber tudo que eu fiz. Então, eu pensei, eu ando de moto e é muito fácil simular um assalto. Se você quiser, você mesmo pode atirar. Sua esposa pode atirar. E se vocês não tiverem coragem, vocês podem botar alguém para atirar em mim. Eu não vou não vou fugir disso. Se eu fugir, é só me denunciar”.

Relembre o caso:

Melqui Galvão foi preso após investigação que apura suspeitas de crimes sexuais contra alunas. Além de treinador de jiu-jitsu, ele também atua como policial civil.

A prisão temporária foi decretada após denúncias reunidas pela DDM, envolvendo relatos de ao menos três vítimas. Segundo a investigação, o caso começou a ser apurado após a denúncia de uma adolescente de 17 anos, que relatou ter sido vítima durante uma competição fora do país. Atualmente, ela está nos Estados Unidos e já foi ouvida pelas autoridades.

Durante o andamento do inquérito, outras duas possíveis vítimas foram identificadas em diferentes estados, com relatos semelhantes. Em um dos casos, a vítima afirmou ter apenas 12 anos na época dos fatos.

A polícia também informou que uma gravação apresentada pelos denunciantes teria reforçado os indícios da investigação, incluindo falas do suspeito tentando evitar a denúncia com promessas de compensação financeira.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao investigado em Jundiaí, no interior de São Paulo.

O caso ganhou repercussão no meio esportivo, já que Melqui é figura conhecida no jiu-jitsu e pai do multicampeão Mica Galvão.

A Polícia Civil segue com as investigações para esclarecer a extensão dos fatos e identificar possíveis novas vítimas.

Até a última atualização desta reportagem, a equipe da Jovem Pan News Manaus não conseguiu localizar a defesa de Melqui Galvão. Também foram feitas tentativas de contato com o investigado por meio de suas redes sociais, porém não houve retorno até o momento da publicação.

O espaço segue aberto para manifestações e eventuais esclarecimentos por parte dos envolvidos.

 

 

 

Por Victoria Medeiros, da Redação da jovem Pan News Manaus

Foto: Reprodução