PEC do fim da escala 6×1 expõe divergência entre governo e base aliada

Proposta que reduz jornada de trabalho enfrenta impasse entre equipe econômica, parlamentares e setor produtivo

A proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, com redução da jornada semanal, abriu uma divergência dentro do governo federal e entre parlamentares da base aliada no Congresso. De um lado, a equipe econômica defende uma transição gradual para evitar impactos no mercado de trabalho. Do outro, deputados do PT pressionam por uma mudança imediata.

Integrantes da área econômica avaliam que a adoção imediata da nova jornada pode gerar efeitos em setores que já operam com escalas diferenciadas, com risco de falta de mão de obra e impacto na produtividade. Por isso, a proposta defendida internamente é de um modelo escalonado, permitindo adaptação ao longo do tempo.

Já parlamentares da base governista na Câmara argumentam que a mudança tem forte apoio popular e pode ser implementada sem necessidade de transição prolongada. A proposta em discussão prevê a redução da jornada para 40 horas semanais e o fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso.

O relator da matéria, deputado Leo Prates, sinaliza apoio a uma regra de transição, destacando que o texto final será construído de forma negociada. Em versões anteriores, foi sugerido um prazo de dois anos para adaptação, enquanto representantes do setor produtivo defendem um período maior, de até quatro anos.

Diante do impasse, o Palácio do Planalto tenta equilibrar as diferentes posições. A estratégia é avançar com a aprovação ainda neste semestre e deixar pontos mais detalhados para regulamentação posterior, o que pode permitir consenso mínimo entre governo, Congresso e setores envolvidos.

Com Informações da CNN

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus