O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um “homem bom” e um “sujeito inteligente” após reunião realizada nesta quinta-feira (7), na Casa Branca, em Washington.
A declaração foi dada a jornalistas após o encontro entre os dois chefes de Estado, que durou cerca de três horas e marcou a primeira visita oficial de Lula à Casa Branca durante o atual governo Trump.
“Tivemos uma ótima reunião com o presidente do Brasil. Fazemos muito comércio e vamos ampliar esse comércio. Falamos sobre tarifas. Falamos também que eles gostariam de algum alívio nas tarifas. Mas foi uma reunião muito boa. Ele é um bom homem. É um sujeito inteligente”, afirmou Trump.
Antes da declaração à imprensa, Trump já havia comentado o encontro em publicação na rede Truth Social, onde definiu Lula como “dinâmico” e classificou a conversa como “muito boa”.
Tarifas e comércio dominaram encontro
As negociações comerciais estiveram no centro da reunião entre os governos brasileiro e norte-americano. Lula confirmou, após o encontro, que os dois países criaram um grupo de trabalho com prazo de 30 dias para discutir tarifas remanescentes do pacote comercial imposto pelos Estados Unidos no ano passado.
Ao deixar a Casa Branca, Lula afirmou que saiu “muito satisfeito” da reunião e demonstrou otimismo em relação às negociações.
“Olha para a minha fisionomia. Você acha que eu estou otimista, ou pessimista? Eu estou muito otimista”, disse o presidente brasileiro a jornalistas na embaixada do Brasil em Washington.
Segundo Lula, ainda existem divergências entre os dois governos em temas econômicos e comerciais, especialmente sobre impostos e tarifas de importação.
“Ele sempre acha que nós cobramos muito imposto”, afirmou Lula. “Quem tiver errado, vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder. Se vocês tiverem que ceder, vocês vão ter que ceder.”
Coletiva conjunta foi cancelada
Apesar da expectativa inicial, a tradicional declaração conjunta no Salão Oval foi cancelada após o encontro. A decisão chamou atenção de analistas políticos e especialistas em relações internacionais.
O correspondente da BBC News em Washington, Daniel Bush, avaliou que Trump costuma transformar encontros com líderes estrangeiros em longas entrevistas coletivas, o que tornou o cancelamento da aparição conjunta um gesto relevante no contexto diplomático.
Segundo Bush, a ausência de uma fala pública conjunta pode indicar diferenças ainda não solucionadas entre os dois governos.
O professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Oliver Stuenkel, também interpretou a ausência da coletiva como sinal de que temas centrais permanecem em negociação.
De acordo com o especialista, caso houvesse consenso sobre os principais pontos discutidos, os presidentes provavelmente teriam realizado uma declaração pública conjunta após a reunião.
Lula cita democracia e soberania
Em publicação na rede X após o encontro, Lula afirmou que a reunião representou “um passo importante” para fortalecer a relação entre Brasil e Estados Unidos.
Segundo o presidente brasileiro, não houve restrições de temas durante as conversas.
“O Brasil está preparado para discutir qualquer assunto com qualquer país do mundo: tarifas, comércio exterior, minerais críticos, combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas e de armas”, escreveu.
Lula acrescentou que o governo brasileiro não abre mão “da democracia e da soberania”.
O presidente também informou que ministros dos dois países seguirão negociando os temas discutidos durante o encontro.
Relação entre Brasil e EUA entra em nova fase
A reunião ocorre em meio à retomada das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e ao avanço de discussões sobre minerais críticos, transição energética e cooperação econômica.
Nos bastidores, integrantes dos dois governos avaliam que o diálogo direto entre Lula e Trump poderá destravar parte das tensões comerciais acumuladas nos últimos meses, principalmente após medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos.
O encontro também acontece em um momento de reorganização das relações diplomáticas globais, com disputas comerciais envolvendo grandes economias e negociações estratégicas relacionadas a energia, tecnologia e cadeias de produção industrial.
Com informações da BBC*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






