A Espanha iniciou neste domingo (10), a retirada dos passageiros do cruzeiro MV Hondius, atingido por um surto de hantavírus e ancorado próximo a Tenerife, nas Ilhas Canárias. A operação envolve autoridades de saúde, militares e equipes de segurança para o desembarque e repatriação de 147 passageiros e parte da tripulação.
Segundo o Ministério da Saúde da Espanha, profissionais embarcaram no navio para realizar avaliações médicas finais antes do início da retirada dos ocupantes. O desembarque começou por volta das 5h30 no horário de Brasília.
Os passageiros passam por exames ainda a bordo. Depois, são levados em pequenos grupos para terra firme em embarcações menores operadas pelo Exército espanhol. Na sequência, seguem em ônibus isolados até o aeroporto de Tenerife Sul, de onde partem voos de repatriação organizados pelos países de origem.
De acordo com o ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, os cidadãos espanhóis seriam os primeiros a deixar o navio. Em seguida, o desembarque seria feito por grupos organizados conforme a nacionalidade e disponibilidade de voos.
“O mecanismo elaborado impede qualquer contato com a população civil”, afirmou o ministro.
Após o desembarque, o navio seguirá para a Holanda, onde passará por um processo de desinfecção coordenado pelo governo holandês e pela empresa responsável pela embarcação, a Oceanwide Expeditions.
OMS acompanha operação em Tenerife
A operação está sendo acompanhada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou a Tenerife no sábado (9) para supervisionar o desembarque.
Em carta aberta aos moradores das Ilhas Canárias, Tedros afirmou que o risco para a população local permanece baixo.
“Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo”, escreveu.
Apesar disso, o diretor-geral da OMS confirmou que a cepa identificada no navio apresenta gravidade. Até o momento, seis casos da doença foram confirmados e três pessoas morreram.
“Três pessoas perderam a vida, e nossos corações estão com suas famílias. O risco para vocês, em sua vida cotidiana em Tenerife, é baixo”, declarou.
A chegada do navio provocou preocupação entre moradores de Tenerife, principalmente na região portuária de Granadilla de Abona. Autoridades locais chegaram a se posicionar contra a atracação da embarcação, mas o governo espanhol autorizou a operação após solicitação da OMS.
No sábado, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que receber o cruzeiro era “um dever moral e legal”.
Cruzeiro partiu da Argentina em abril
O MV Hondius saiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em 1º de abril, em direção a Cabo Verde. Segundo autoridades sanitárias argentinas, a possibilidade de contágio em Ushuaia foi considerada praticamente nula.
A suspeita é que parte das infecções tenha ocorrido durante conexões aéreas em Joanesburgo, na África do Sul.
O sistema público de saúde do Reino Unido informou que cerca de 20 passageiros britânicos serão colocados em quarentena em um hospital próximo a Liverpool.
Os passageiros do navio são de países como Canadá, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Nova Zelândia, Singapura, Suécia, Suíça, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.
A OMS notificou os países de origem para monitoramento de possíveis novos casos.
O que é o hantavírus
O hantavírus causa a hantavirose, doença que pode evoluir para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH). Segundo o Ministério da Saúde brasileiro, a infecção pode provocar comprometimento pulmonar e cardíaco.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- febre;
- fadiga;
- dores musculares;
- dores de cabeça;
- tontura;
- calafrios;
- dores abdominais.
Nos casos graves, a doença pode evoluir para insuficiência respiratória e complicações cardiovasculares.
O vírus é transmitido principalmente por meio da inalação de partículas presentes na urina, saliva e fezes de roedores silvestres infectados. Também pode ocorrer transmissão por contato com mucosas ou ferimentos.
Casos de transmissão entre pessoas já foram registrados na Argentina e no Chile, relacionados ao hantavírus Andes.
Não existe tratamento específico
Segundo autoridades sanitárias, não existe tratamento específico contra o hantavírus. O atendimento é baseado no controle dos sintomas e suporte respiratório e cardiovascular.
Pacientes em estado grave podem precisar de internação em UTI, ventilação mecânica e oxigenoterapia.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) recomenda o uso de equipamentos de proteção individual por profissionais expostos ao vírus.
OMS monitora novos casos fora do navio
Além dos casos confirmados no MV Hondius, autoridades sanitárias monitoram pacientes suspeitos em França, Holanda, Singapura e Estados Unidos.
Na Holanda, uma comissária de bordo da companhia KLM foi internada após contato com uma passageira infectada. Em Singapura, duas pessoas foram isoladas por terem viajado no mesmo voo da viúva da primeira vítima.
Segundo o jornal The New York Times, estados americanos como Califórnia, Geórgia e Arizona também acompanham pacientes com sintomas compatíveis com a doença.
A diretora da área de epidemias da OMS, Maria Van Kerkhove, afirmou que o surto não representa uma nova pandemia.
“Trata-se de uma situação totalmente diferente do coronavírus”, declarou.
Cronologia dos casos no navio
A OMS detalhou os oito casos suspeitos registrados até agora:
- o primeiro caso foi de um homem que apresentou sintomas em 6 de abril e morreu no navio em 11 de abril;
- a esposa dele morreu em Joanesburgo após desembarcar na ilha de Santa Helena;
- uma mulher alemã morreu no navio após apresentar sintomas em 28 de abril;
- um britânico permanece internado em UTI na África do Sul;
- outras três pessoas seguem em acompanhamento médico;
- um homem desembarcou em Santa Helena sob suspeita da doença.
Tedros Adhanom afirmou que novos casos ainda podem surgir devido ao período de incubação do vírus.
“A ameaça à saúde pública em geral decorrente do surto permanece baixa”, declarou.
Foto: REUTERS/Hannah McKay.
Com informações do G1 e CNN*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






